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Caracas / Venezuela -
 


Fome por petróleo e biocombustivel
tem “justificado” o genocídio

Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 09/05/07

Fome por petróleo e biocombustivel tem “justificado” o genocídio praticado pelo imperialismo ianque e europeu

  • Política Bioenergética

  • Aparentemente correndo no sentido contrário, por uma outra via, Fidel Castro denunciou em um recente editorial que o plano de Bush vai fazer com que todos os cultivos da América Latina e Caribe estejam voltados para os biocombustíveis, a fim de abastecer o imperialismo, e isso reduzirá ainda mais a produção de alimentos e levará o seu encarecimento. Seria bom que Fidel e Chávez, que também se opõe ao plano dos biocombustíveis, se ponham à cabeça da campanha latino-americana e caribenha para derrotar o projeto de Bush, seu emissário principal, o Lula e seu sócio, Kirchner.
  • Política Petrolífera

  • O petróleo é a fonte dominante de energia no mundo. A provisão abundante e barata de petróleo sempre foi e é a matéria-prima básica de garantia do crescimento econômico do capitalismo imperialista e de fortalecimento de sua poderosa máquina de guerra. Por tanto, até que ponto a futura produção estará disponível para continuar garantindo o seu crescimento econômico, por conseguinte é esperado que a demanda futura de energia aumente, é a principal pergunta do imperialismo ianque e europeu.
  • Um campo de petróleo é considerado gigante quando ele produz mais de 500 milhões de barris (0.5 GB) no fechamento final das contas totais de sua produção. Embora os campos gigantes só representem aproximadamente 1% (um por cento) de todos os campos de petróleo no mundo, eles respondem por mais de 60% (sessenta por cento) da produção total. Logo, os campos gigantes de petróleo, os maiores campos de petróleo do mundo, podem ser usados como excelentes parâmetros no estudo que possibilita responder a pergunta que tanto interessa ao capitalismo imperialista. Conclusivamente, a possibilidade de descoberta de novos campos gigantes é cada vez mais rara.



Política Petrolífera

O desenvolvimento do estudo que prevê o fim da exploração e produção dos hidrocarbonetos está submetido a um modelo baseado na produção histórica, nas reservas totais exploráveis e na taxa de declínio de extração dos campos gigantes de petróleo. Normalmente, o declínio de produção dos campos de petróleo é de 4 – 6% por ano; mas, devido ao aumento da vazão para atender a demanda uma taxa anual de declínio entre 6 e 16% é razoável. Sempre são usadas estimativas pessimistas e otimistas para todos os cenários.

A expectativa de maior longevidade da extração do petróleo para garantir o crescimento econômico e sustentar a máquina de guerra do imperialismo ianque e europeu foi apresentada recentemente por Fredrik Robelius (membro do grupo do estudo de depleção de hidrocarboneto da Uppsala, UHDSG, Uppsala University in Sweden) em sua tese: “Giant Oil Fields – Highway to Oil”. O caso do melhor cenário na tese de Fredrik Robelius requer a paz no Iraque e o re-desenvolvimento de 7 campos gigantes iraquianos. A tese apresentada por Fredrik Robelius só vem reforçar a prova cabal do verdadeiro objetivo da invasão por tropas militares dos Estados Unidos e da Europa e do genocídio praticado pelo imperialismo ianque e europeu no Iraque.

Em 1956, o Dr. Marion King Hubbert predisse que a produção de petróleo dos Estados Unidos iria alcançar o pico no inicio dos anos 70. Hubbert foi criticado amplamente pelos peritos de petróleo e economistas da época. Chegou a ser ridicularizado. Mas, a predição da produção de petróleo dos Estados Unidos que culminou em 1972, conforme prevista por Hubbert, se tornou realidade. A produção de petróleo dos Estados Unidos declinou mais de 40% desde 1972. Os métodos de Hubbert de análise de reserva de petróleo predizem que um pico de produção de petróleo global está acontecendo AGORA. Ao mesmo tempo, a demanda global de petróleo está crescendo rapidamente. Escassez e preços ascendentes de petróleo são inevitáveis. Este cenário é incontestável e esta realidade assusta o capitalismo e, principalmente, o imperialismo dos Estados Unidos que teme em não poder impossibilitar a queda brusca do seu crescimento econômico. Essa situação é que tem deixado o imperialismo cada vez mais brutalmente agressivo. A administração Bush tem tomado medidas preservativas – as guerras preventivas no Oriente Médio e a instalações de bases militares e planos políticos implementados pelos governos aliados em todo o continente latino-americano e caribenho.

Apesar do preço ascendente do barril de petróleo, a disposição de comprá-lo continua aumentando. Só para se ter uma idéia concreta e absoluta, o consumo global para petróleo foi 78.7 milhões de barris por dia em 2003 que aumentou para 82.5 milhões de barris por dia em 2005 e prossegue crescendo.


A descoberta de campos gigantes que poderiam garantir provisão à manutenção do mercado mundial de petróleo, é crítica. Restam apenas 10% do petróleo para ainda ser encontrado. Recordemos que o capitalismo imperialista só consegue garantir a sua sobrevivência se houver concomitantemente energia abundante e barata.


Colin J. Campbell que é um dos competentes cientistas da ASPO (Association for the Study of Peak Oil and Gas) e, como outros demais estudiosos do tema pico de petróleo mundial, suas pesquisas têm estado a serviço do governo dos Estados Unidos. A ASPO apresenta um banco de dados inquestionável para sustentar essa tese que é irrefutável. A ASPO desnudou o inchamento artificial das reservas mundiais de hidrocarbonetos e, simultaneamente, seu banco de dados tem servido para a elaboração da política brutalmente agressiva do governo dos Estados Unidos sobre os países que possuem hidrocarbonetos ainda para produzir e pouco para ser ainda explorado.


Nos Estados Unidos, o pico de descoberta ocorreu em 1930 (cor verde) e o pico de produção (cor vermelha), 42 anos depois, em 1972.

No Mar do Norte, o pico de descoberta (cor verde) ocorreu em 1973 e o pico de produção (cor vermelha), 27 anos depois, em 2000. A redução da demora de tempo para 27 anos, comparada ao mesmo fato geológico ocorrido nos Estados Unidos (42 anos), entre o pico de descoberta e de produção, é atribuída aos avanços na tecnologia da geologia e engenharia de reservatórios. Ou seja, os avanços tecnológicos esvaziam mais rapidamente os reservatórios de petróleo.


Inicialmente foi muito fácil extrair petróleo porque os reservatórios em subsuperfície estavam submetidos a altas pressões que o fazia fluir automaticamente até a superfície. É a chamada recuperação primária de petróleo. E foi isso que mais possibilitou o crescimento fácil das economias capitalistas imperialistas. Porém, os fluxos de petróleo diminuíram porque as pressões das jazidas ficaram cada vez mais reduzidas com o passar do tempo e o petróleo crescentemente mais difícil de ser extraído. Quando o primeiro poço de petróleo foi bombeado, foi gasto a energia equivalente de um barril de petróleo para extrair cem barris de petróleo do subsolo. Hoje em média é gasto a energia equivalente de um barril de óleo para extrair dez barris de petróleo da subsuperfície. Quando a Relação de Lucro de Energia é 1/1 = 1, então o Lucro de Energia é zero; logo, o negócio petróleo deixa de ser uma atividade que interessa ao capitalismo. O decréscimo da Relação de Lucro de Energia é um dos principais sintomas causados pelo esvaziamento do reservatório de petróleo.

Recordemos que o pico máximo de produção mundial de petróleo ainda não é o fim do petróleo.
É apenas o fim do petróleo barato e o inicio da maior acumulação de riquezas das transnacionais petrolíferas e da indústria automobilística. A produção mundial de petróleo está numa região da “curva do sino” que pode ser chamada de “planalto de petróleo” onde haverá alternância entre estagnação e viabilidade. Por tanto, o elevado preço da energia, principalmente do petróleo e do gás natural, é motivado pela ganância cada vez maior das multinacionais do setor energético.


Reavaliado detalhadamente o “planalto de Petróleo” (região de alternância entre estagnação e viabilidade) por Robelius, ele prevê no pior cenário o pico de petróleo em 2008, e no melhor cenário, ajustado em 1.4 por cento de crescimento da demanda, o pico de petróleo em 2018. É esperado na pesquisa realizada por Fredrik Robelius que a demanda futura de petróleo esteja entre 1.4 e 1.7 por cento anualmente.

É bom lembrar que mantendo o ritmo de crescimento atual, somente a China vai necessitar de 99 milhões de barris de petróleo por dia em 2031. No momento, há um esforço exagerado para produzir 84 milhões de barris de petróleo por dia, mundialmente.


O resultado do estudo de Fredrik Robelius só fortalece a tese de que o capitalismo imperialista sabe que ele tem que patinar e surfar no “planalto acidentado da curva do sino”. O que significa tentar o equilíbrio para continuar vivo, a partir do início da descida inevitável ladeira abaixo da encosta íngreme do conjunto das curvas dos sinos de todos os países produtores de petróleo do mundo. Em outras palavras, se apoderar dos recursos naturais alheios através da pratica do genocídio.


A pesquisa de Robelius também inclui uma análise detalhada de compo-por-campo da produção de águas profundas e a recomendação de melhoria da tecnologia de desenvolvimento dos principais campos de petróleo nesse horizonte geológico, e produção futura do cinturão do Orinoco na Venezuela.



Política Bioenergética

Diante desta realidade, é fundamentalmente importante que a classe trabalhadora mundial compreenda o que está por trás da contradição da Relação de Lucro de Energia dos biocombustíveis com a essência do capitalismo imperialista. O balanço de energia para fazer etanol ou biodiesel de cultivos bioenergéticos é contraditório com o que habitualmente busca o capitalismo, o lucro cada vez maior. Segundo David Pimentel e Tad Patzek, da Universidade de Cornell e da Califórnia em Berkeley, respectivamente, para cada unidade de energia fóssil (petróleo e/ou gás natural) usada na produção de agrocombustivel, o retorno é de 0.778 no caso de metanol de milho, 0.636 no etanol de madeira e 0.534 no diodiesel de soja. Ou seja, o balanço de energia (relação de lucro de energia) é negativo. Em lugar de aliviar o problema, ele aumenta. Se gasta mais energia fóssil para produzir o equivalente energético de biocombustivel. De fato, esse estudo tira a fantasia verde do imperialismo.

No continente latino-americano, o governo Lula tem o objetivo de fazer o imperialismo ianque e europeu menos dependente do petróleo do Oriente Médio e da Venezuela. O Brasil hoje é uma “subpotência” ou “submetrópoli” regional eleita pelo imperialismo ianque e europeu para garantir a aplicação de suas políticas no hemisfério sul. Nessa tarefa, Lula que tem feito uma aliança entre os usineiros (mega-latifundiários) e o imperialismo ianque e europeu, é o principal emissário de Bush.

Aparentemente correndo no sentido contrário, por uma outra via, Fidel Castro denunciou em um recente editorial que o plano de Bush vai fazer com que todos os cultivos da América Latina e Caribe estejam voltados para os biocombustíveis, a fim de abastecer o imperialismo, e isso reduzirá ainda mais a produção de alimentos e levará o seu encarecimento. Seria bom que Fidel e Chávez, que também se opõe ao plano dos biocombustíveis, se ponham à cabeça da campanha latino-americana e caribenha para derrotar o projeto de Bush, seu emissário principal, o Lula e seu sócio, Kirchner.

O plano do imperialismo via biocombustíveis é de avançar no processo de recolonização do hemisfério sul e no saqueio de nossos recursos naturais.
A iminência do aprofundamento da fome e da sede dos povos dessa região mostra mais uma vez a urgente necessidade dos trabalhadores e dos povos do Brasil, da Argentina e de toda a América Latina e Caribe, buscarem todas as vias possíveis de coordenação e mobilização para barrar esse plano de recolonização imperialista.

No caso especifico do Brasil, ocorrência visível desse plano do imperialismo ianque e europeu é o revigoramento do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco para o semi-árido nordestino dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte que está no papel desde 1886. Mas, também é verdade que, de lá para cá, até os dias atuais, em nenhuma das propostas planejadas pelo governo foi comprovada o efeito satisfatório que pudesse justificar a execução dessa obra tão danosa para o oprimido e sofrido povo nordestino do Brasil. A origem e o planejamento das propostas de transposição das águas do Rio São Francisco sempre teve a ver somente com a continuidade da política oligárquica do nordeste brasileiro.

Os mega-latifundiários que controlam a água têm o poder político e econômico local. Mesmo estando próximo à fonte, muitas localidades limitadas pela bacia hidrográfica do Rio São Francisco não possuem água, o povo vive na miséria e pobreza absoluta. O trecho do rio que atravessa os Estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas que são pobres, carentes e com problema de água, é uma lastimável realidade, conseqüência da política latifundiária dos coronéis do nordeste, sustentada também, agora, pelo governo Lula para dar sustentabilidade à política de recolonização imperialista na América Latina e Caribe.

Na proposta do governo Lula, a mesma do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), as águas do Velho Chico, o Rio São Francisco, deverão ser transpostas a partir da cidade de Cabrobó (Estado de Pernambuco). Para a água alcançar as vertentes dos quatro Estados (Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte) e chegar aos latifúndios dos coronéis precisa ser elevado à altura de 164 (cento e sessenta e quatro) metros. E passar por túneis e aquedutos, percorrer dois mil quilômetros de rios e canais a céu aberto, evaporando sob sol intenso e infiltrando nas rochas do cristalino fraturado predominante em toda a região do semi-árido nordestino.


Os governos latino-americanos e caribenhos a fim de garantir o sucesso do plano imperialista fazem valer tudo. O relatório do projeto de transposição das águas do Velho Chico, encomendado pelo governo Lula, está incompleto e apresenta dezenas de itens irregulares. “O relatório não contém os estudos necessários sobre os Estados doadores, mas apenas os receptores”.  Na verdade, o governo contratou um consórcio para aprovar a transposição das águas do Velho Chico sem restrições. As audiências ocorreram na marreta segurada pela mão pesada do Estado burguês. O que está por trás de toda essa truculência do governo Lula é a “necessidade” do plantio de bioenergéticos que devem ser semeados para beneficiar o imperialismo dos Estados Unidos e da Europa nos enormes latifúndios pertencentes aos coronéis do nordeste, os “heróicos” usineiros, escravagistas. A intensificação da degradação ambiental e o aumento da concentração de terras nas mãos dos usineiros vão acompanhar a evolução da produção do plantio energético no semi-árido nordestino, tão esperado pelo imperialismo ianque e europeu.

Dos 503 municípios existentes ao longo do trecho da bacia hidrográfica do Velho Chico, mais da metade joga esgoto em suas águas. A carga pesada de esgoto é jogada pelas empresas, principalmente a Votorantin. Além disso, 97% das matas ciliares da região alta do rio, entre os Estados das Minas Gerais e Bahia, foram destruídas para o fabrico de carvão.

Como resultado deste genocídio, a cada dia que passa, há uma queda brusca da potencialidade natural do Rio São Francisco na sua condição de gerador de vida para milhões de brasileiros. O rio já atingiu a situação limite, agonizante e ameaçado na sua condição de gerador de vida que condena ao fim a possibilidade de manutenção de suas múltiplas funções sociais.

A direção revolucionária da classe trabalhadora mundial não pode mais ficar omissa nem negligenciar o combate efetivo que deve ser dado ao genocídio praticado pelo imperialismo ianque e europeu em todos os recantos do planeta terra, sacrificando milhões de vidas humanas e degradando a natureza.


 

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Fonte Pesquisada:

  • Lucha Socialista (Argentina) nº. 137, 3 de maio de 2007
  • Daniela Rocha e Dani Assis - Revista Conexão ano II nº. 11 julho de 2001
  • Giant Oil Fields – Highway to Oil, Fredrik Robelius
  • ASPO - Association for the Study of Peak Oil and Gas

 


(*) Dalton Francisco Dos Santos / Diretor do Sindipetro AL/SE (Sindicato dos Petroleiros, Químicos e Petroquímicos de Alagoas e Sergipe) – Conlutas - Brasil / Email: palma@infonet.com.br

 





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