A classe trabalhadora:
Vítimas de
caudilhos transformados em Messias
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 24/05/07
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A classe trabalhadora não pode continuar sendo vítimas ingênuas inclusive de caudilhos transformados em Messias
Desde a declaração da Doutrina Monroe (1823) até os dias atuais que o continente latino-americano e caribenho tem sido palco de intervenções militares do imperialismo ianque. Não faz muito tempo, foi no século passado, nas décadas de 60 e 70, o continente latino-americano também esteve acobertado por uma espécie de regime de governo (totalitário, controlador, explorador, repressor, opressor, inquestionável) como o descrito por José Rafael López Padrino:
• La falacia como método del socialchavismo
Este régimen neofascista se ha caracterizado por la utilización de la propaganda como instrumento de intoxicación y de enajenación de la población. Inspirada en un léxico pobre y en una sintaxis elemental, manipula a la población (secuestro de la verdad) a fin convencer a las grandes mayorías de las bondades de su perverso proyecto. El oficialismo ha recurrido a una violenta simbólica, al copar en forma nauseabunda los medios de comunicación y espacios físicos del país com mentiras y con un culto a la personalidad desbordada y censurable (vallas, pancartas, murales, pendones, y afiches del tte coronel). El Culto a la personalidad constituye uno de los peores vicios políticos entre los tantos que han enturbiado el curso de la historia contemporânea (Hitler, Stalin, Mussolini, Kim II-Sung). Este fetichismo en torno a la figura de un lider es profundamente adverso al marxismo, que por su propria naturaleza, considera que el curso de la historia es determinada por la acción de las masas populares, y no por la voluntad de un caudillo transformado en Mesias. ( José Rafael López Padrino)
Quando um determinado setor centraliza todos os poderes políticos e administrativos do Estado burguês, impossibilitando a existência de organizações opostas ou partidos políticos contrários, fica caracterizado o regime de governo totalitário. É deste regime que nasce também o indicativo autoritário do controle absoluto da imprensa falada, escrita e televisada, do cinema, do teatro e virtualmente de todas as atividades culturais e cientificas do país. Só a voz do caudilho é autorizada, e aqueles que estão submetidos a sua vontade devem repeti-las dedicadamente por todos os recantos. E quem não o fizer deve ser considerado inimigo e logo taxado de traidor da pátria.
O fracasso do neoliberalismo mudou a situação latino-americana e a consciência das massas. Mas, aproveitando-se de uma momentânea devoção ao caudilho pelas massas, cuja consciência ainda é massacrada pela ação de uma gigantesca operação de propaganda ilusionista, se promove uma absoluta intolerância a qualquer outra forma de pensamento ideológico que esteja distanciado dos lineamentos do conjunto de preceitos imposto pelo chefe do regime de governo totalitário.
A morte da esperança das massas é uma questão de tempo, porque nenhuma campanha de propaganda ilusionista, por maior que seja, pode parar a história. Historicamente, o resultado é conhecido e já experimentado pelas massas mundialmente: as crueldades desabadas sobre a classe trabalhadora é o efeito lastimável, a fim de que possa continuar sendo extremamente explorada e produzindo docilmente todas as riquezas existentes de sustentação do capitalismo imperialista.
Para o regime de governo que restringe ou suprime as liberdades individuais e coletivas, ou nele há autoritarismo, repressão, despotismo e tirania, não há outra caracterização senão a de totalitarismo, em que todos os poderes são enfeixados nas mãos dum indivíduo (o caudilho) que, a partir do controle do Estado burguês, busca expandir seus negócios, êxitos ou satisfações pessoais. O imperialismo precisa deste tipo de regime de governo (totalitário, controlador, repressor, opressor, inquestionável), gerenciando o Estado burguês. Assim é possível sobreviver comodamente sustentado por mão-de-obra barata e, consequentemente, obter lucros estratosféricos.
A estratégia do regime político totalitário como, por exemplo, o fascismo, é negar que a luta de classes possa ser a força preponderante na transformação da sociedade. O fascismo que é uma doutrina totalitária de extrema-direita e que foi desenvolvida por Benito Mussolini na Itália, a partir de 1919, e durante seu governo, desde 1922 até 1945, é ainda muito utilizado pelo imperialismo e pelas burguesias nacionais locais nos dias atuais. Propõe que caudilhos de regimes de governos totalitários fortes tomem por missão “proteger” o seu povo da exploração capitalista. Tal proposição tem sido usada como meio de dar combate ao conceito socialista de luta de classes e a sua solução proposta que é de estatização dos meios de produção; ou seja, eliminar a propriedade privada e extinguir a exploração da classe trabalhadora que produz o excedente apoderado pelo capital.
Enfim, o fascismo tenta desviar as massas do objetivo imprescindível para a solução definitiva do problema da humanidade e do meio ambiente que seria o estilo de vida numa sociedade solidária e de iguais, na qual todas as riquezas produzidas pela classe trabalhadora deveriam ser repartidas igualmente. Faz com que a imensa maioria dos povos oprimidos não tenha como estabelecer critérios de análises marxistas ou revolucionárias para transformar a sociedade em que vive, porque isso atentaria contra a permanência do modo de produção capitalista que garante a existência de um modelo social de desiguais. É o que motiva a carga pesada de propaganda ilusionista despejada pelos regimes de governos totalitários para massacrar a consciência das massas, fazendo-as devotas de um caudilho transformado em Messias.
A carta encíclica “Rerum Novarum”, do papa Leão XIII sobre as condições dos operários, desaprova a solução socialista com o argumento de que os socialistas, para curar o mal capitalista que mata e não é pouco, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que se apossam da mais-valia produzida pelos trabalhadores. A greve como principal instrumento de luta que pode garantir conquistas mínimas para a classe trabalhadora, extremamente explorada pelos patrões, também é condenada pela “Rerum Novarum”.
É verdade que para manter os povos oprimidos sob o controle da ideologia burguesa, o imperialismo normalmente tem feito uso do regime neofascista que se caracteriza pela poder da força do governo do Estado burguês. E para ter as massas apoiando-o se utiliza da propaganda enganosa ou mentira afirmativa. Nela emprega um palavreado popular, como meio de intoxicação e alienação mental da população. Assim, inspirada num léxico simples e numa sintaxe elementar, o imperialismo e as burguesias nacionais locais seqüestram a verdade e a trocam pela mentira afirmativa. Dessa forma, investem no processo de manipulação da consciência da população, a fim de tentarem convencer a grande maioria dela das bondades dos seus perversos projetos. O que ocorre no Brasil, onde o presidente da República é ex-operário e possuidor de um passado sindicalista, essa prática é bastante ilustrativa. O que é próprio do caráter de classe do Estado burguês que é gerenciado por agentes especializados, recrutados em outras classes sociais para defenderem interesses do capitalismo imperialista.
Abortado o regime neofascista, o imperialismo pode usar outros meios ainda mais violentos para impô-lo. Os golpes de Estados preparados pelo imperialismo têm como objetivo inibir o efeito do ascenso das lutas incontrolável do movimento de massas que impulsionam a esquerdização de qualquer governo.
O fato ocorrido no Brasil a partir do dia 31 de março de 1964, quando as forças armadas assumiram o controle total do país, é exemplar dessa verdade histórica. Impelido pelo ascenso das lutas do movimento de massas brasileiro, João Goulart apenas expressou a intenção de promulgar uma lei de reforma agrária e nacionalizar as reservas de petróleo do povo brasileiro. Foi o motivo suficiente para os Estados Unidos aparecerem diretamente implicados no golpe de Estado do Brasil que detonou uma série de golpes no continente latino-americano. As convicções democráticas dos militares brasileiros se expressaram no curso dos anos seguintes, desencadeando uma brutal repressão contra os movimentos sindicais e sociais e partidos anti-ditatoriais.
É desde 1823, ano em que a América Latina foi considerada “esfera de influência” para os Estados Unidos pela declaração da Doutrina Monroe, até os dias atuais, que o imperialismo ianque faz intervenções militares no continente latino-americano e caribenho. Recentemente os Estados Unidos apoiaram e financiaram aqueles que organizaram o frustrado golpe de Estado de 11 de abril de 2002 na Venezuela.
Nessa ocorrência recente na Venezuela, a diferença, ao contrário do golpe militar no Brasil em 1964, é que o movimento de massas venezuelano reagiu contundentemente, de forma efetiva, o que possibilitou abortar o plano golpista do imperialismo ianque e da burguesia nacional local. Fato histórico de muito valor para o movimento de massas latino-americano e caribenho que obriga o governo venezuelano, garantido seu retorno pelas massas, a se “esquerdizar” e falar até em “socialismo”. No entanto, a inverdade afirmativa “o socialismo do século XXI” que é usada para enganar o movimento de massas venezuelano, ainda no ascenso das suas lutas, tem como fim, freando as lutas do movimento de massas, manter a situação capitalista semi-colonial da Venezuela.
É bastante visível que o discurso “esquerdista” do chavismo é motivado pelo ascenso das lutas e pela radicalização das massas que depois de anos de governos neoliberais na América Latina substituem aqueles por gente que supostamente estavam distantes dos projetos neoliberais. No entanto, toda energia é gasta pelo chavismo para que os trabalhadores não se mobilizem contra seus verdadeiros exploradores, os patrões imperialistas e o seu histórico aliado –o Estado burguês-, e se distanciem da luta de classes, principalmente pela nacionalização dos hidrocarbonetos sem indenização e pela reforma agrária. Não vai ser as forças armadas de um país capitalista semi-colonial a encabeçar uma luta conseqüente contra o imperialismo.
É por isso que, vivenciando fatos reais, o marxismo, por sua própria natureza cientifica, considera que o curso da história da humanidade é determinado pela ação do movimento das lutas das massas populares. O marxismo é a doutrina dos teóricos do socialismo (cientifico, marxista ou revolucionário), os filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) que o construíram sobre base científica e análises criteriosas de fatos acontecidos na realidade que vivemos. O marxismo foi estabelecido sobre o alicerce do materialismo dialético. O laboratório do marxismo; por tanto, é a realidade. Do marxismo que se desenvolveu através das teorias da luta de classes e da elaboração do relacionamento entre o capital e o trabalho, a patronal e o trabalhador, o explorador e o explorado, o opressor e o oprimido, o repressor e o reprimido, resultou a criação da teoria e da tática da revolução proletária.
Por conseguinte, o socialismo científico, marxista ou revolucionário que é fundamentado na doutrina do materialismo histórico, propõe a estatização dos meios de produção. Por tanto, o socialismo é um sistema político umbilicalmente ligado à doutrina marxista que prega a primazia dos interesses gerais da sociedade sobre a mesquinhez dos indivíduos capitalistas e exploradores da força de trabalho, e defende a substituição da livre-iniciativa pela ação coordenada da coletividade, na produção de bens e na repartição da renda.
Qualquer ação política de um regime de governo que foge do conteúdo científico definido por Karl Marx e Friedrich Engels é o oposto do socialismo. Na verdade, esquiva-se da luta pelo pronto atendimento da necessidade histórica da classe trabalhadora. Podendo até ficar no campo dos programas idealistas de reforma da sociedade capitalista imperialista (como os propostos no inicio do século XIX por Owen, Saint-Simon e Fourier). Tentativa já frustrada da domesticação do capitalismo.
Essa fuga serve apenas às direções de esquerdas (do movimento de massas) caracterizadas como pragmáticas; ou seja, simpatizantes do capitalismo para propiciar-lhes excelentes negócios, êxitos ou satisfações pessoais, levando-as a fugirem das trincheiras para os palácios.
O conhecimento dessas informações é essencial porque a classe trabalhadora tem sido vítima ingênua de atrocidades derivadas inclusive da vontade individual de caudilhos transformados em Messias.
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Fonte Pesquisada:
- Carta Encíclica “Rerum Novarum” do Papa Leão XIII sobre a condição dos operários
- Concesiones a los banqueros, pierden los trabajadores – Nacho Silva e Cesar Neto
- ¿La Venezuela de Chávez marcha hacia el socialismo? Alejandro Iturbe
- El golpe de estado en Brasil:
http://www.visionesalternativas.com/militarizacion/articulos/crono/10.htm
(*) Dalton Francisco Dos Santos / Diretor do Sindipetro AL/SE (Sindicato dos Petroleiros, Químicos e Petroquímicos de Alagoas e Sergipe) – Conlutas - Brasil / Email: palma@infonet.com.br
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