Governo Lula compra prefeito de Cabrobó por R$ 4,6 milhões
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 29/06/07
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Desde a madrugada do dia 26 de junho de 2007, terça-feira, que
diversas organizações de trabalhadores oprimidos brasileiros
instalaram acampamento na Fazenda Mãe Rosa, no Município de Cabrobó,
Estado de Pernambuco, Brasil. A entrada para o acampamento fica no km
29 da BR 428, antes da cidade de Cabrobó.
No dia de ontem (26/06/07), pela manhã, esteve lá, primeiro representantes do Exército do Brasil e, mais tarde, a polícia militar. Ontem mesmo,
correu a notícia de que o governo Lula estava providenciando a liminar
de reintegração de posse.
Um dos jornais de ontem noticiou que o prefeito de Cabrobó, um dos
grandes interessados nas obras de transposição das águas do Rio São
Francisco, informou que a transposição virá acompanhada de enormes
benefícios para o povo da região e que já havia recebido R$ 4,6
milhões do governo federal. Há poucos dias atrás, um dos
representantes do governo Lula esteve visitando toda a bacia
hidrográfica do Rio São Francisco e desavergonhadamente entregava
chegues com altas quantias aos prefeitos das cidades ao longo do Rio.
Enquanto o representante da burguesia local recebe R$ 4,6 milhões, o
povo vive e vai permanecer na pobreza e miséria absoluta. Agora, de
forma pior, podem perder suas terras que lhes garante a sobrevivência.
Os mega-latifundiários do semi-árido do nordeste brasileiro devem ser
os únicos benefíciados com o projeto de transposição das águas do Rio
São Francisco. Essa transposição é parte essencial do projeto IIRSA
(Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana), hoje também
chamado de PAC (Projeto de Aceleração de Crescimento) para atender
apenas os interesses econômicos do imperialismo ianque (dos Estados
Unidos) e europeu.
O Imperialismo tem como meta garantir o negócio das multinacionais de
o lucro das empresas ligadas umbilicalmente ao complexo
militar-industrial. O governos auxiliares do imperialismo como, por
exemplo, o governo Lula tem como missão garantir o negócio dos
usineiros e do imperialismo ianque e europeu que muito necessitam de
biodiesel e etanol. Essa é a verdade. Por isso, é necessário que o
governo Lula, o qual ficar encarregado dessa tarefa extermine primeiro
as tribos indígenas que vivem às margens do Rio São Francisco,
arrancando-lhe seus meios de sobrevivência e fazendo desaparecer suas
culturas. E, finalmente, a extinção da espécie humana e do planeta
terra.
Recordemos que para produzir um milhão de barris de etanol, seja de
milho ou de cana-de-açúcar, é preciso 20 milhões de hectares de terras
agricultáveis. Os Estados Unidos e os países ricos e imperialistas já
decidiram que o plantio de bio-enérgia deve ser feito nas terras dos
países do Hemisfério Sul (América Latina e Caribe). As terras dos
países imperialistas devem ser preservadas para o plantio de
alimentos. Para garantir esse projeto, o imperialismo conta com o
governo Lula e com o prefeito de Cabrobó (inicialmente). Outros
grandes beneficiários devem ser as gatas (empreiteiras), uma das mais
famosas é a Guatama.
Mas agora é preciso acabar com o acampamento dos povos oprimidos. E
para isso, o governo Lula conta com dois dos aparatos do complexo
militar-industrial do imperialismo: a polícia militar e o exército
brasileiro. Esse último, o nosso exército brasileiro, está no Haití, a
mando do governo Lula, praticando genócidio dos mais bárbaros, para
defender os interesses econômicos do governo Bush.
(*) Dalton Francisco Dos Santos / Diretor do Sindipetro AL/SE (Sindicato dos Petroleiros, Químicos e Petroquímicos de Alagoas e Sergipe) – Conlutas - Brasil / Email: palma@infonet.com.br
Mais de mil pessoas ocupam área onde
o exército iniciou projeto de transposição
Cerca de 1200 pessoas ocuparam e estão acampadas, desde o início da
madrugada de hoje (26), em Cabrobó (PE), na área em que os batalhões
de engenharia do exército deram início à construção dos canais de
aproximação do eixo norte, do projeto do governo federal de
transposição das águas do rio São Francisco. A ação deve servir para
impedir o avanço das obras e para a retomada do território pelo povo
indígena Truká, que reivindica a posse da terra.
O acampamento não tem prazo para encerrar e o número de participantes
deve aumentar, até o final do dia. Participam da ação organizações
sociais e movimentos populares, além de comunidades tradicionais de
Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e Ceará. Eles exigem
o arquivamento do projeto, além da implementação de alternativas e
tecnologias apropriadas de convivência com o semi-árido.
Serviço
Local: Km 29 (entre Cabrobó e Orocó/PE)
Contatos: Ruben Siqueira: (71) 92086548 /
Neguinho Truká: (87) 96066065 /
Clarice Maia (Comunicação): (71) 92086548
...................................................................................
Manifesto do Acampamento:
O Nordeste é Viável sem Transposição e com Ética na Política.
De São João a São Pedro, o Nordeste todo se une em sua maior festa.
Coincidente com as colheitas no sertão, é a festa da fartura, da
solidariedade e da alegria. Do Nordeste viável, auto-sustentável e
soberano. Nós, os movimentos populares e entidades civis da Bacia do
Rio São Francisco e de todo o Nordeste, vimos festejar em Cabrobó-PE para mostrar que o Nordeste não precisa deste projeto traiçoeiro
chamado "integração de bacias", a mesma antiga transposição. Acampados
em cerca de 2000 pessoas junto ao canteiro de obras, no km 29 da BR
428, vimos exigir a imediata suspensão das ações que dão início às
obras da transposição. Em sinal de outro desenvolvimento, voltado para
a população e não para o capital, nos irmanamos ao Povo Truká e aos
indígenas de todo o Nordeste na retomada desta terra, da Fazenda Mãe
Rosa, desapropriada para a transposição, território Truká desde tempos
imemoriais.
Água nos açudes e cisternas, caatinga verdejante, comidas de milho,
requeijão e paçoca, licores e muito forró ao redor da fogueira...
Sinais do Nordeste bonito e viável, evidências do que pode o período
chuvoso do semi-árido, se para ele deslocarmos o foco, concentrarmos
os esforços, investirmos. Ao optar por obra contra a seca e não a
favor do semi-árido e sua dinâmica sócio-ambiental, o governo erra
mais uma vez, como tem acontecido historicamente. A proposta de
conviver com o semi-árido – esperava-se desse governo – sepultaria a
política e a indústria do combate à seca e consolidaria a política do
aproveitamento do chuvoso, pois é neste e não na seca que se decide a
vida do sertão e do sertanejo. A transposição, barganhada e em nome de
uma falsa revitalização das bacias do Nordeste, significa uma"travessia para o passado". A questão não é doar água ou não, mas qual
desenvolvimento, a que preço e para quem. E como enfrentar os limites
impostos pelas mudanças climáticas globais, que tendem a diminuir os
mananciais do Rio São Francisco e desertificar o semi-árido.
Este é o terceiro acampamento que fazemos, o último em Brasília por
uma semana no mês de março, com 740 pessoas. Já se somam quase uma
centena de manifestações públicas. Sequer fomos recebidos, muito menos
ouvidos ou considerados. Será por que significamos a incômoda verdade
sobre esse projeto e o que ele vai trazer de falso desenvolvimento
para o Nordeste? Ou é porque vivemos num blefe de democracia? Ditadura
de novo, com desenvolvimentismo e até ação do Exército?
O processo transcorrido até aqui não foi democrático nem republicano e
desabona o projeto, seus promotores e lobistas: estudos de impacto
ambiental formais e incompletos; críticas fundamentadas dos principais
especialistas; desrespeito às decisões do Comitê de Bacia;
descumprimento do acordo feito com D. Luiz Cappio, ao encerrar a greve
de fome, em novembro de 2005, para que houvesse um amplo e sério
debate nacional sobre o assunto; incertezas e inverdades quanto as
reais motivações do projeto, quanto a seus custos e a quem vai pagar a
conta; propaganda enganosa sobre seu alcance, ao manipular a opinião
pública e inventar um público beneficiário de 12 milhões de sedentos,
na verdade, os que vão pagar a conta dos grandes usos econômicos
intensivos em água; irregularidades flagrantes detectadas pelo
Tribunal de Contas da União; indícios de corrupção (caso da Gautama,
empreiteira candidata ao segundo trecho mais caro da obra); ocultação
ao debate público dos projetos de transposição do Rio Tocantins para
os Rios São Francisco e Parnaíba; compra descarada de apoio dos
políticos do São Francisco, com verbas da revitalização; chantagens de
um pseudo-desenvolvimento transmutado em crescimento econômico a
qualquer custo e sem futuro... São motivos mais que suficientes para
que esse projeto seja arquivado. E que a sociedade cobre essa única
atitude digna de um Estado de Direito democrático e republicano.
Transposição não é solução – esta a verdade que não quer calar!
Queremos um programa verdadeiro de convivência com o semi-árido;
Queremos um projeto de desenvolvimento regional que atenda às reais
necessidades da população do semi-árido e do São Francisco e não de
uma minoria de empresários nacionais e estrangeiros;
Queremos a democratização do acesso à água, com acesso livre da
população aos açudes e às adutoras;
Queremos controle social sobre os usos das águas dos açudes e
reservatórios geridos com competência;
Queremos destinação prioritária das águas para a agricultura familiar
e camponesa;
Queremos a implementação imediata das 530 obras do Atlas Nordeste da
ANA – Agência Nacional de Águas para levar água a 34 milhões de
habitantes do Polígono das Seca;
Queremos programas que ampliem, divulguem e implantem as mais de 140
tecnologias hídricas, agrícolas e ambientais de convivência com o
bioma caatinga e o clima semi-árido;
Queremos reforma agrária ampla e efetiva e regularização dos
territórios tradicionais, a começar pelas áreas dos Povos Truká,
Tumbalalá, Pipipã e Cambiwá, atingidos pela transposição;
Queremos a suspensão das barragens de Pedra Branca, Riacho Seco e Pão
de Açúcar e de Centrais Nucleares na região;
Queremos uma revitalização do Rio São Francisco que seja para valer!
Queremos que o Supremo Tribunal Federal tome finalmente a decisão e
que essa seja contrária ao projeto;
Queremos o arquivamento definitivo do projeto de transposição!
CONVIVER COM O SEMI-ÁRIDO É A SOLUÇÃO!
SÃO FRANCISCO VIVO – TERRA E ÁGUA, RIO E POVO!
Cabrobó, 26 de junho de 2007.
MST - MPA - MMC - MAB - APOINME - MONAPE - CETA - SINDAE - CÁRITAS -
CIMI - CPP - CPT - ASA - AATR - PJMP - CREA/BA - SINDIPETRO AL/SE -
CONLUTAS - Federação Sindical e Democrática de Metalúrgicos do Estado
de MG - Terra de Direitos - Fórum Nacional da Reforma Agrária - Rede
Brasileira de Justiça Ambiental - Fórum Permanente em Defesa do Rio
São Francisco / BA - Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Norte de
MG – Fóruns de Organizações Populares do Alto, Médio, Submédio e Baixo
São Francisco - Frente Cearense Por uma Nova Cultura da Água Contra a
Transposição - Projeto Manuelzão/MG - STRs, Colônias de Pescadores,
Comunidades Ribeirinhas, Indígenas, Quilombolas, Vazanteiras,
Brejeiras, Catingueiras e Geraiseiras da Bacia do Rio São Francisco
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