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Caracas / Venezuela -
 


Lula quer fazer crescer o deslocamento
da miséria dos campos para as cidades

Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 10/07/07


Lula quer privatizar a água do Rio São Francisco e fazer crescer o deslocamento da miséria dos campos para as cidades já encharcadas pela pobreza absoluta

O Fundo de População das Nações Unidas, UNFPA, acaba de apresentar o relatório do Estado da População Mundial no ano de 2007. No século XX, a população urbana mundial aumentou de 220 milhões para 2 bilhões e 800 milhões. A previsão é de que mais da metade da população mundial passará a viver nas áreas urbanas a partir de 2008.

No relatório da UNFPA, pode também ser constatado que 52% da população urbana do planeta Terra moram em cidade de mais de 500 mil habitantes. Em 2005, na América Latina e Caribe, 77% da população é definida como urbana. A estimativa para 2030 é que nas cidades dos países em desenvolvimento morarão 80% da população urbana do mundo.

Dos novos habitantes urbanos a imensa maioria chegará às cidades já na miséria absoluta. Irão morar em ambientes de alto risco para a saúde por falta de saneamento básico e carência de água potável e saudável que possa ser bebida. Não terão energia, educação, transporte público. No novo ambiente, além da nova experiência com a poluição e a contaminação do ar, da água e do solo, terão que se adaptarem às novas condições de falta de trabalho ou trabalho em condições extremamente precárias, desnutrição ou alimentação de péssima qualidade. Jamais irão ter o conforto de um banheiro com descarga de água.

Na América Latina, por exemplo, só 33,6% do pobre urbano têm acesso a um banheiro com descarga de água. Recordemos que a linha oficial da pobreza no
Brasil é delimitada quando a família tem renda familiar per capita abaixo de R$ 120 (Cento e Vinte Reais). Por tanto, oficialmente quase não existem pobres no Brasil, pois o trabalhador que vende sua força de trabalho por um salário mínimo no valor de R$ 380 (Trezentos e Oitenta Reais) está muito aquém da linha oficial da miséria absoluta delimitada pelo governo Lula.

O deslocamento populacional das zonas rurais para os centros urbanos latino-americanos pode ultrapassar catastroficamente o número previsto pela UNFPA, causado pela monocultura dos
necro–combustíveis que serão cultivados no interior dos mega–latifúndios.

A repressão exercitada pelas tropas militares e policiais do governo Lula contra os povos indígenas que pacificamente pronunciam-se e lutam contra a privatização das águas do Rio São Francisco, é o exemplo visível dos malefícios projetados pelos necro–combustíveis. Mas, os piores momentos ainda poderão vir depois de concluída a transposição das águas do Rio São Francisco para regar os necro–combustíveis nos latifúndios dos usineiros do semi-árido do nordeste brasileiro.


Para beneficiar as multinacionais petroleiras e de energia e a indústria automobilística e as empresas ligadas umbilicalmente ao complexo militar-industrial do imperialismo, o governo Lula instalou uma base militar em Cabrobó, no Estado de Pernambuco, Brasil, local dos protestos contra a privatização das águas do Rio São Francisco. Em El Salvador, a luta dos povos salvadorenhos contra a privatização da água doce também é motivo de enorme repressão praticada pela Polícia Nacional Civil Salvadorenha.

O Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, junto com outras organizações dos movimentos sociais, populares e sindicais, também está engajado na luta contra a privatização das águas do Rio São Francisco, que Lula agora tenta levar adiante através da violência de tropas militares e policiais do governo federal.

 

 

(*) Dalton Francisco Dos Santos / Diretor do Sindipetro AL/SE (Sindicato dos Petroleiros, Químicos e Petroquímicos de Alagoas e Sergipe) – Conlutas - Brasil / Email: palma@infonet.com.br

 

 

 

 

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