Geopolítica Global
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 13/07/07
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O imperialismo agora prioriza também a plantação de necro-combustíveis alternativos nos latifúndios da América Latina e Caribe
- 1.- ASPO – Association for the Study of Peak Oil and Gas
A ASPO (Association for the Study of Peak Oil and Gas) há muito tempo vem alertando o governo federal dos Estados Unidos que o pico de petróleo, a depleção (esvaziamento das reservas de petróleo) dos reservatórios das bacias sedimentares mundiais e a iminência do declínio acentuado da produção poderiam pegar os Estados Unidos despreparados. As novas reservas descobertas no futuro serão menos importantes que o declínio acentuado de produção de petróleo dos campos existentes.
Colin J. Campbell fundou a ASPO. Ele administra a pesquisa do pico mundial de petróleo. Campbell também tenta construir consciência pública do assunto, dissertando sobre o tema extensivamente. Este trabalho de pesquisa que gerou vários artigos e será publicado no site www.soberania.org, é baseado fundamentalmente nas dissertações de Campbell.

- 2.- A estratégia do imperialismo
Setenta e cinco por cento (75%) das reservas de petróleo restantes no mundo podem ser achadas nos países muçulmanos. Mas, o preço do petróleo é fixado nos mercados de Nova York e Londres. O modo das multinacionais e das empresas ligadas umbilicalmente ao complexo militar-industrial do imperialismo se apropriar das reservas petrolíferas dos povos muçulmanos é através da prática do genocídio submetida à guerra preventiva, “justificada” pelo combate ao terrorismo.

Em 15/08/2006, Colin J. Campbell concluiu globalmente nova revisão dos parâmetros essenciais para a cronometragem do pico, a depleção e o declínio da produção de petróleo mundial. Campbell constatou que o pico mundial de descoberta ocorreu em 1964 e o de produção, em 2004, e a taxa de depleção calculada foi de 2.5%. O mid point mundial (ponto central de depleção que é o copo meio cheio ou meio vazio) coincide com a data do pico de petróleo (2004). A reserva mundial de petróleo convencional acumulada calculada é de 1 trilhão e 900 bilhões (1,900 GB), o achado é 93% (1,758 Gb ou 1 trilhão e 758 bilhões de barris) e 142 Gb (142 bilhões de barris) ainda para achar. As reservas para a futura produção existentes em campos já conhecidos e novos campos a serem descobertos totalizam 933 GB (933 bilhões de barris). Já foram consumidos 967 GB (967 bilhões de barris). Ou seja, a civilização industrial já está consumindo a segunda metade da herança de petróleo deixada pela natureza.
Na tese de doutorado: Giant Oil Fields – Highway to Oil, Fredrik Robelius desenvolveu um modelo baseado na produção histórica de petróleo, total das reservas exploráveis dos campos gigantes e taxa de declínio desses gigantes. O modelo assume que os campos de petróleo têm uma taxa constante de declínio que Robelius constatou estudando vários campos gigantes de petróleo onde a produção minguou. A análise de Robelius mostra que uma taxa anual de declínio entre 6% e 16% é razoável. Robelius usou estimativas otimistas e pessimistas. O melhor cenário requer paz no Iraque e que 7 campos gigantes de petróleo iraquiano seja re-desenvolvido imediatamente. A tese inclui também a análise da produção de campo-por-campo de água profunda e o desenvolvimento dos principais campos de petróleo neste horizonte, e a produção futura do cinturão do Orinoco, na Venezuela. Finalmente, Robelius combinou os resultados com as previsões de Betume do Canadá que a UHDSG (Uppsala Hydrocarbon Depletion Study Group) apresentou na Energy Policy.
Segundo Robelius, a data do pico de petróleo e do mid point pode ser cronometrada com base na produção anual passada e no último cálculo da reserva global recuperável e na previsão da produção futura dos campos gigantes.
Um campo gigante de petróleo contém 500 milhões de barris (0.5 GB) de petróleo recuperável, pelo menos. Só 1% (um por cento) - 507 entre 47.500 campos de petróleo no mundo – é gigante e a maioria foi achada nos países que cercam o Golfo Pérsico. O que motiva o genocídio praticado pelo imperialismo, que está a serviço das multinacionais e das empresas ligadas umbilicalmente ao complexo militar-industrial, naquela região.

Mais de 60% da produção mundial de petróleo e aproximadamente 65% da reserva global recuperável são de campos gigantes. Embora a contribuição do desenvolvimento de novos campos descobertos e de água profunda seja grande, a produção dos 333 campos gigantes de petróleo ainda domina.
O Oriente Médio é a principal região para exportação de petróleo e continuará sendo o principal exportador durante os próximos 25 anos.

A descoberta de campos gigantes de petróleo são coisas do passado. Como a maioria dos maiores campos gigantes tem mais de 50 anos, muitos começaram a declinar a produção e a tendência de descoberta é de poucos campos gigantes com volumes menores de petróleo.
Por tanto, não é provável que novas descobertas de petróleo venham colocar volumes acima do ponto do pico de petróleo, aliviando seu impacto negativo sobre o crescimento econômico global. O declínio das descobertas de campos gigantes de petróleo indica que os bons prospectos do planeta Terra já foram perfurados.
Uma outra das táticas essenciais para prevenir a crise energética dos Estados Unidos é aplicada também aqui no Brasil. O governo brasileiro promove anualmente os leilões de campos de petróleo descobertos pela Petrobras e das fabulosas reservas dos denominados blocos azuis, a preços vis, sem qualquer justificativa minimamente aceitável. Além disso, o alinhamento de preços dos combustíveis ao mercado internacional estimula os investidores estrangeiros a adquirirem as ações da Petrobras e se tornarem proprietários da empresa.
- “Blocos Azuis” são aqueles com alta probabilidade de conterem petróleo, por estarem adjacentes a áreas com grandes reservas, descobertas pela Petrobras.

O cálculo das reservas brasileiras disponíveis e que foram revisadas recentemente pela ASPO, contraria o discurso da “auto-suficiência” em petróleo, feito pelo presidente da República do Brasil, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Essa falsa propaganda tem somente a ver com a tentativa de diminuir a intensidade do impacto do pico, da depleção e do declínio acentuado de produção de petróleo sobre a crise energética inevitável dos Estados Unidos.
É motivado por essa inverdade que o Brasil se transforma num país exportador de petróleo para os Estados Unidos.

O petróleo da Venezuela tem sido um forte sustentáculo do alívio do maior temor do imperialismo dos Estados Unidos, o pico de petróleo. Comparada com a da Venezuela, a reserva disponível de petróleo do Brasil é quase que insignificante.

Como o petróleo é um recurso não renovável são válidas as regras de Marion King Hubbert:
1) Após a descoberta do campo de petróleo, a produção começa no zero;
2) A produção cresce até atingir um pico que nunca pode ser ultrapassado;
3) Uma vez que o pico máximo tenha sido alcançado, a produção do petróleo recuperável declina inevitavelmente até que esse precioso recurso não pode mais ser extraído da rocha que o armazena.
A região de petróleo mais madura, os Estados Unidos continentais, atingiu o pico de petróleo em 1972. Enquanto a última região de petróleo descoberta, o Mar do Norte, alcançou o pico de petróleo em 2001. Ambas as regiões continuam declinando acentuadamente a produção. A forte demanda e preços de petróleo altos motivam taxas elevadas de produção e, consequentemente, mais rápido é o esvaziamento dos reservatórios de petróleo.
Mas, a fração doce do petróleo ainda é encontrada no Oriente Médio. De 1945 a 1970, a Suécia aumentou seu uso de energia por um fator de cinco ou quase 7 por cento por ano durante 25 anos. Esta viagem na idade do petróleo transformou a Suécia de um país bastante pobre no terceiro país mais rico (per capita) no mundo. Noventa por cento do aumento de energia vieram do petróleo. O petróleo barato do Oriente Médio fez ficar rico também a Suécia.

Sempre alertado pela ASPO, o governo federal dos Estados Unidos corre agora contra o tempo insuficiente para aliviar as conseqüências drásticas do pico, da depleção e do declínio acentuado da produção global de petróleo. Agora, o imperialismo veste uma fantasia verde.
Embora a produção de etanol de milho seja tecnicamente possível de ser plantado nas terras dos Estados Unidos, é mais caro a produção de etanol que gasolina. Além disso, a produção de etanol de milho requer investimentos caros em infra-estrutura como álcool-duto e tanques de armazenamento, antes de poder ficar extensamente disponível como um combustível primário.
A prioridade do imperialismo com relação à energia baseia-se na compra do produto produzido e em áreas onde já há a exploração e não em sua exploração, produção e refino.
Daí o esforço, principalmente do governo Lula - do Brasil, jogado para a plantação de energia alternativa que é o grande desafio dos Estados Unidos para tentar abrandar o impacto do pico de Hubbert, da depleção e do declínio acentuado da produção mundial de petróleo. O nível do esforço dedicado para superar o temor do imperialismo dos Estados Unidos e tornar bem sucedido o seu desafio, depende em parte da continua elevação do preço do petróleo que garantirá o investimento suficiente para atender os custos da monocultura dos necro–combustíveis, devendo ser cultivados nos latifúndios da América Latina e Caribe.
Finalmente fica demonstrado que a integração dos continentes latino-americano e caribenho só se dará a partir de uma luta de libertação nacional contra o imperialismo, que aponte para uma perspectiva socialista, e na construção de uma Federação Socialista de Estados Americanos. Sem essa revolução social, a verdadeira integração latino-americana e caribenha não ocorrerá.
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Fontes de Pesquisa:
1.- ASPO – Association for the Study of Peak Oil and Gas
2.- Américo Gomes – Advogado com Especialização em Política e Relações Internacionais - As Submetrópoles Petroleiras - Imperialismo e Geopolítica do Petróleo, Seminário Internacional, Aracaju – Sergipe – Brasil, junho de 2006, ILAESE – Caderno de Debates nº. 3.
3.- Kjell Aleklett,
Professor in Physics
Uppsala University, Sweden.
Presentation to be addressed at The Energy and Environment Conference, Shijiazhuang, China, November 1, 2006
4.- Maria Lucia Fattorelli Carneiro – Dívida e Petróleo – Ilusões de Esperança, Independência e “Auto-suficiência” – Imperialismo e Geopolítica do Petróleo, Seminário Internacional, Aracaju – Sergipe – Brasil, junho de 2006, ILAESE – Caderno de Debates nº. 3.
(*) Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno de Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: palma@infonet.com.br
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