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Caracas / Venezuela -
 


O porquê da Reforma Agrária não ser projeto do governo Lula
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 22/08/07

O fornecimento cada vez mais escasso de petróleo e a demanda crescente por necrocombustíveis é a maior ameaça para a espécie humana. Tudo que comemos pode ser convertido em combustível nas destilarias de etanol e nas refinarias de diesel. E a preferência que os governos latino-americanos e caribenhos estão dando é para a soberania energética, em prejuízo da alimentação de bilhões de famintos.

O preço elevado do petróleo abre um vasto mercado para os necrocombustíves. A plantação de cana-de-açúcar para o etanol e da soja para o diesel toma o espaço do cultivo alimentar e amplia o desmatamento, além do extremado rebaixamento do lençol freático e posterior desertificação. O que comemos ficará escasso e, por tanto, terá seu preço acima do etanol e do diesel.

Em 25 anos, o
Brasil diminuiu em 10% o consumo de petróleo e, na mesma proporção, aumentou o consumo de gás natural. O consumo de etanol cresceu apenas 6%. O projeto do governo Lula é acelerar o aumento do consumo de etanol.

Daqui a poucos anos o Brasil terá que importar petróleo, de novo. Desta próxima vez muito caro o barril. Pois, não é possuidor de reservas de petróleo suficientes para suportar longa temporada consumista. Resta ainda para produzir apenas 2 bilhões e 500 milhões de barris de petróleo.


A reforma agrária no Brasil não é projeto do governo Lula por conta dessa realidade. As terras estão sendo reservadas para serem ocupadas por extensos canaviais.


As carniceiras não querem abrir mão de Yasuni

Simultaneamente, as transnacionais petroleiras pretendem dar continuidade ao estrago ambiental aonde houver ainda petróleo para ser produzido. O Parque Nacional de Yasuni, região do Equador de maior diversidade biológica do mundo, é intocável. No entanto, as transnacionais petroleiras desconsideram a necessidade da preservação de espécies animais e vegetais em perigo de extinção. O Parque Nacional de Yasuni, com 9.820 quilômetros quadrados, é uma miniatura diante dos 6.683.926 quilômetros quadrados que tem a bacia amazônica. As transnacionais petroleiras não se importam com o dano ecológico que podem causar. O bloco petrolífero Ishpingo-Tambococha-Tiputini (ITT) encontra-se no seio do Parque Nacional de Yasuni e dele as transnacionais petroleiras não querem abrir mão. Agem tais quais urubus famintos sobre a carniça.


A reserva de 4 bilhões e 200 milhões de barris de petróleo ainda para ser produzido de Yasuni é extremamente insignificante em relação à reserva global ainda existente para ser produzida. Mas, vendida muito acima de 100 dólares o barril, é o que espera as transnacionais petroleiras, essa pequena reserva é comercialmente muito rentável. Logo, para elas, vale a pena destruir o Parque Nacional de Yasuni, deixando a humanidade a ver navios.


A classe trabalhadora do mundo carece da firme tomada de decisão antiimperialista da sua verdadeira direção revolucionária.




(*) Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno de Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: palma@infonet.com.br

 

 

 

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