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Caracas / Venezuela -
 


O Pico de Petróleo determinará o futuro da Humanidade
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 30/08/07



• Paira sobre todos nós a ameaça da maior crise econômica global que a humanidade em breve verá, acelerando o desenvolvimento do processo natural de extinção da espécie humana no planeta Terra.

• “Não se pode compreender os acontecimentos atuais se esquecer por um só instante que a expansão da chamada sociedade de consumo repousa sobre a abundância de energia e de matérias primas baratas, isto é, sobre a ruína da maior parte da humanidade” (Prólogo de Jean Pierre Vigier, Petróleo: III Guerra Mundial – 1974).

O petróleo tem sido o sangue da civilização industrial e da sociedade tecnológica. A prosperidade econômica do capitalismo a partir da metade do último século (século XX) foi dirigida por energia abundante e muito barata, baseada no petróleo. Numa economia mundial que necessita de crescimento econômico perpétuo para funcionar, o crescimento também perpétuo do input de energia é fundamental.

Por tanto, a maior das descontinuidades históricas da civilização industrial e da sociedade tecnológica é a irreversibilidade da escassez e da elevação do preço do petróleo. A maioria das economias capitalistas globais gostaria de se expandir, cada vez mais, e o esperado é que continue sempre crescendo. E com esta expectativa de expansão, necessariamente também o esperado é que a produção de petróleo continue aumentando e o seu preço seja mantido muito baixo para que possa sustentar o sonho irreprimível do crescimento econômico do capitalismo.

A disponibilidade em abundância de petróleo muito barato durante o século XX possibilitou o crescimento exponencial da população mundial de 2,5 bilhões em 1950 para 6,5 bilhões de habitantes em 2006. A taxa de crescimento populacional global nos permite calcular a estimativa aproximada de 9,1 bilhões de habitantes no planeta Terra para 2050.


O aumento da população humana tem sido frequentemente citado como a principal causa de problemas para o planeta Terra. Essa afirmação não é verdadeira. Ela serve apenas como válvula de escape, ou rota de fuga, da verdadeira causa de problemas para a humanidade e para o planeta Terra.

O problema é causado pela extração acelerada dos recursos energéticos da Terra que foram produzidos pela natureza para a humanidade e não para as transnacionais petroleiras e multinacionais ligadas umbilicalmente ao aparato militar industrial do imperialismo. Conseqüentemente, o pico de petróleo ou pico de Marion King Hubbert é um ponto decisivo (vida ou morte) para a numerosa espécie humana existente no planeta Terra. A constatação da inevitabilidade da escassez crescente e permanente de petróleo impõe para os governos latino-americanos e caribenhos a obsessão pelo plantio extensivo de necrocombustíveis. Com certeza, a depredação das reservas global de petróleo somada ao vandalismo ambiental motivado pela obsessão do plantio de necrocombustíveis, vai acelerar o desenvolvimento do processo natural de extinção da espécie humana no planeta Terra. Então, o que está em jogo é a continuidade ou não do modo de produção capitalista, do surgimento da barbárie ou do socialismo, da morte ou da vida.




A civilização industrial e a sociedade tecnológica já começaram a gastar a segunda metade do estoque de petróleo deixado pela natureza. Já foram consumidos 967 bilhões de barris de petróleo, 51% da reserva total (1,9 trilhões de barris de petróleo) achada. Já não mais podem ser descobertas novas grandes províncias petrolíferas. Todas as que existem no mundo já são conhecidas.

Os Estados Unidos já consumiram 88% (176 bilhões de barris de petróleo) da reserva total encontrada (200 bilhões de barris de petróleo). As reservas provadas adicionadas com as reservas possíveis e prováveis de petróleo recuperável no Alasca equivalem a seis meses de consumo dos Estados Unidos. Os Estados Unidos possuem apenas 2,5% (24 bilhões de barris de petróleo) da reserva mundial (933 bilhões de barris de petróleo) ainda para produzir. E o Oriente Médio é possuidor de 46% (432 bilhões de barris de petróleo) dessa reserva mundial (933 bilhões de barris de petróleo) ainda para ser produzida. O ponto chave aqui é que aproximadamente metade do petróleo ainda para produzir permanece no interior dos reservatórios em subsuperfície de apenas cinco países do Oriente Médio (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Irã). Essa realidade poderia impor uma grande mudança na correlação de forças e uma alteração favorável aos países do Oriente Médio.

Este fato tem enormes conseqüências, pois aguça a brutalidade hostil de um dos maiores magnatas do petróleo, a família Bush e o próprio George W. Bush. Mas, por outro lado, o altíssimo investimento militar é embutido no preço do barril de petróleo. É o que também motiva e justifica a guerra preventiva do imperialismo ianque e europeu no Oriente Médio. Essa guerra preventiva, além da busca do domínio e controle da maior jazida de petróleo do mundo, antecipa prioritariamente o combate violento e agressivo à possibilidade da inevitável alteração na correlação de forças que seria favorável aos países do Oriente Médio por serem possuidores de 46% (432 bilhões de barris de petróleo) da reserva mundial (933 bilhões de barris de petróleo) ainda para produzir.

Agora a auto-suficiência é a prioridade do governo dos Estados Unidos, tornando-a uma obsessão que tem contagiado os governos da América Latina e do Caribe, principalmente o fiel testa-de-ferro de Bush, o governo Lula que se transforma num embaixador de Washington para vender o seu peixe pobre, os necrocombustíveis, aos demais governos burgueses dos países latino-americanos e caribenhos.


Constatada a inevitabilidade da escassez crescente e permanente de petróleo, os paises mais ricos e imperialistas do mundo entrarão num curso de colisão ou
devem se associar para que possam garantir o acesso, via métodos militares como têm feito no Oriente Médio, à reserva de 933 bilhões de barris de petróleo, deixada ainda para produzir. O México e os países da América Latina, principalmente a Venezuela, estarão sob pressão dos Estados Unidos/Inglaterra para aumentar as exportações de petróleo para atendimento dos seus urgentes pedidos.

Mas, tem ficado clarificado para os Estados Unidos que na América Latina e Caribe basta os governos preventivos de Frentes Populares,
postos pela democracia burguesa como resultado distorcido do avanço da consciência antiimperialista das massas, para lhes garantir a auto-suficiência energética. No Brasil, o governo Lula segue com os leilões das reservas de petróleo que são arrematadas pelas transnacionais petroleiras, desembolsando valores insignificantes. Na Venezuela, o governo nacional de Hugo Chávez tem manifestado em repetidas ocasiões que a Constituição Bolivariana constitui o projeto ou programa da revolução socialista do século XXI. Esta afirmação de Chávez é uma confissão da capitulação do governo Hugo Chávez ao projeto imperialista, tendo em vista que a mencionada Constituição Bolivariana avança na política neoliberal do imperialismo em toda sua aplicação. A Constituição Bolivariana contém artigos como o 303 que estabelece o embasamento legal para a privatização da estatal petroleira PDVSA, bem como o 301 que reivindica as condições para a aplicação da ALCA, além de oferecer garantias para a propriedade privada sobre os meios de produção e do livre comércio.

O povo venezuelano também está sob um manto escuro de um enorme e silencioso processo de negociação do governo nacional da Venezuela com o imperialismo ianque. Já faz algum tempo que não há ameaça nenhuma de golpe por parte do imperialismo. O que ocorre é que a Venezuela entrega a riqueza petrolífera e mineral e faz o pagamento antecipado da dívida externa (dólares), crescendo a dívida interna (bolivares), em troca de que não haja mais golpes. Será que o imperialismo se resume a Bush? No! O imperialismo conta com diversos instrumentos para aplicar suas políticas de forma dissimulada. Alguns destes organismos e destas políticas são partes do nosso cotidiano, ainda que para nós passem despercebidas. Vejamos quais:

O FMI: O Fundo Monetário Internacional é uma instituição com um capital total de 317 bilhões de dólares. Deste total, 55,1 bilhões (17,08%) foram aportados para o tesouro dos Estados Unidos. Japão (6,13%), Alemanha (5,99%), Inglaterra (4,95%), França (4,95%), estes são os grandes acionistas. Outros 179 países têm pequenas quantidades de ações. Assim que, quando o governo venezuelano, paga adiantado a dívida externa, na realidade, está pagando, em especial, ao tesouro das nações imperialistas. Romper relações com o FMI é uma das principais bandeiras dos movimentos sociais e de esquerda na América Latina.

O BM: O Banco Mundial é o irmão gêmeo do FMI. Ambos têm uma divisão de tarefas. O FMI empresta dinheiro e impõe condições aos governos, os chamados ajustes estruturais. Por exemplo, O FMI impõe as privatizações e as reformas trabalhistas, etc. Ao BM lhe compete emprestar dinheiro aos países para que apliquem as políticas do FMI. Por exemplo, antes da privatização do Sidor, houve um processo chamado de saneamento econômico, isto é, venderiam sem dividas. Para isto, o BM emprestou dinheiro. Mas frente à pressão das massas, pela aplicação dos ajustes estruturais, o BM exige dos governos que façam planos de moradias, escolas, saúde, etc. Sempre onde há lutas. Onde não há lutas, eles não se preocupam. Para realizar estes programas de “políticas sociais compensatórias”, o BM empresta dinheiro e aumenta a dívida. Na Venezuela, a divida com o BM não é muito grande, pois a renda petroleira, de certa maneira, garante as políticas sociais compensatórias. Na verdade, a política que é aplicada pela PDVSA, com o tema chamado Desenvolvimento Social, é uma política que também é aplicada pela Petroecuador, Petrobras, entre outras. Isto é, o BM diz: façam e paguem vocês mesmos.

O BID (o caso IIRSA): O Banco Interamericano de Desenvolvimento é uma instituição que se coordena com o FMI e o BM. A composição acionária é igual aos demais. Tem peso nas decisões, os que mais aportam. Estados Unidos têm 30% dos votos, Japão 5%, Canadá 4% e os outros países por fora do continente americano têm 11%. Os grandes projetos do BID, segundo eles são: “para fortalecer a estabilidade macroeconômica na América Latina e Caribe”. Seus dois grandes projetos são o Plano Puebla Panamá (PPP) e a Iniciativa de Investimentos na Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA). O PPP e a IIRSA são um conjunto de obras e construções na área da infra-estrutura (rodovias, aeroportos, portos, hidroelétricas, transmissão elétrica, telefonia, etc) para que as empresas reduzam seus custos (necessários para sua produção), a partir de investimentos feitos pelos Estados nacionais. Assim a ALBA, o Mercosul ou ALCA liberam os mercados e o PPP e a IIRSA criam as condições para que sejam produzidas e circuladas as mercadorias. A Venezuela é uma ativa participante da IIRSA e várias obras desenvolvidas pelo governo Chávez são partes das exigências do BID. A produção de petróleo da Venezuela esta direcionada para atender a demanda dos Estados Unidos.

Será intensificada ainda mais agressividade e brutalidade a esse novo tempo de grande tensão internacional. E novos alinhamentos deverão ser impostos como, por exemplo, a prioridade e a obsessão catastrófica pelo plantio dos necrocombustíveis, obsessão também do governo Lula para salvar o imperialismo da forca, em prejuízo do plantio de alimentos para matar a fome de bilhões de famintos da espécie humana vivente no planeta Terra.




Num cenário dos mais otimistas, adicionando os 2,5% de declínio da produção aos 2,0% do aumento da procura anual, a cada ano haverá menos 4,5% de petróleo, no mínimo, em uma economia sempre crescente. Isso significa menos 45% de petróleo, no mínimo, em uma década. Ou seja, 420 bilhões de barris de petróleo serão consumidos, durante 10 anos, da reserva de 933 bilhões de barris ainda para produzir, neste cenário extremamente otimista. A utilização de métodos técnicos de recuperação secundária e terciária de petróleo, a exploração de xistos betuminosos e cangas petrolíferas –areias de piche– (custos de produção elevados) e exploração de petróleo em águas muito profundas (custos também elevados), nada disto altera o raciocínio –poderia apenas modificar ligeiramente o perfil da curva de produção anual de petróleo. O impacto seria no preço do barril de petróleo que ficaria ainda mais elevado.

Se o modo de produção capitalista fosse racional, a humanidade teria tempo suficiente –pelo menos uns 50 anos– para preparar uma transição suave e não traumática para viver num mundo sem petróleo. Mas, enquanto o mundo for comandado pelo capital monopolista de Estado -o imperialismo- seria ilusório esperar que isto possa acontecer para salvar a vida no planeta Terra.

É constatado também que a casualidade geológica fez com que as províncias petrolíferas cujo “mid point” (2018) de Campbell (copo meio cheio ou meio vazio) ainda está no futuro, fossem aquelas dos países do Oriente Médio. Da reserva mundial ainda para produzir (933 bilhões de barris de petróleo), o Oriente Médio é possuidor de 46% (432 bilhões de barris de petróleo).



Desde o inicio da utilização do petróleo, a resposta ao aumento do pedido de petróleo sempre foi dada sob a forma do aumento da sua produção. Após a extração de petróleo ter ultrapassado o pico de Hubbert, conseqüência do limite geológico das reservas petrolíferas, o momento em que a oferta não poderá mais satisfazer o pedido aproxima-se mais rapidamente ainda mais ligeiramente. A teoria da oferta (produção) e da procura (preço) do barril de petróleo funcionou até antes de ser atingido o pico de Hubbert. A partir da ultrapassagem do pico (2004), o qual não pode mais ser superado, o preço do petróleo vai continuar meteoricamente subindo, apesar de estarem abertas ao máximo todas as torneiras dos campos gigantes de petróleo do Oriente Médio e da Venezuela para atender ao pedido dos Estados Unidos.



Antes da ocorrência do pico de Hubber, o controle balanceado entre a produção (linha amarela) e o preço (barras verticais verdes) era possibilitado pelo aumento ou diminuição de produção dos campos gigantes de petróleo da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Iran, no Oriente Médio. Estes cinco países que são os maiores produtores de petróleo do mundo ficavam partilhando o balanceamento de extração ao redor do pico de Hubbert. Ou seja, podiam fazer a reposição da diferença entre a demanda do mundo sob vários cenários e o que outros países podiam produzir para atender a mesma demanda. O Oriente Médio partilhava 38% no momento do primeiro choque de petróleo em 1973, mas começou a cair por causa da produção fresca de novos campos gigantescos no Mar do Norte, Alasca e em outras províncias petrolíferas. Estas províncias já tinham sido achadas anos antes do primeiro choque de petróleo. Estas novas províncias produtoras gigantescas não foram respostas dadas ao choque do preço do barril de petróleo como foi reivindicado na época pelos economistas que defendem fielmente a lei da oferta e da procura relacionada com os recursos energéticos. A partilha dos cinco países do Oriente Média caiu para 18% em 1985. A partir daí a cota em percentual destes cinco países do Oriente Médio, para alimentar o crescimento gigantesco da demanda mundial, começou a subir e não mais caiu. Por que, então, o preço do petróleo não cai, obedecendo à lei da oferta e da procura fielmente acreditada pelos economistas? A fim de frear a elevação do preço do barril de petróleo, em 2004 chegaram a subir a cota equivalente à produção da Venezuela.



O avanço tecnológico não tem como solucionar o problema da escassez das reservas de petróleo. A revolução geofísica que avançou para o método sísmico 3D (Three-Dimensional) e até mesmo para as pesquisas sísmicas 4D (Four-Dimensional), mostra com êxito onde o petróleo não está, bem como onde está. A seção sísmica acima mostra a resolução sísmica surpreendente que é possível conseguir. Pode ser encontrada agora até mesmo a menor agulha no palheiro e em alguns casos até mesmo o próprio petróleo em trapas estratigráfico sutis. Mas, infelizmente, a agulha ainda permanece sendo uma agulha. Esta resolução sísmica é desnecessária para achar os campos gigantes de petróleo que garantem a produção mundial. Um campo gigante no estágio mundial é qualquer campo com 500 milhões de barris ou mais de reserva de petróleo.

De fato, grandes avanços em tecnologia sísmica tornaram possível ao geólogo e ao geofísico ver as armadilhas (reservatórios naturais em subsuperfície que contém petróleo e/ou gás) menores e mais sutis. Em geral este conhecimento geológico e geofísico da terra tem de fato reduzido o potencial percebido na realidade. Por isso, a afirmativa: é possível achar uma agulha em um palheiro, mas ainda é uma agulha. Por outro lado, o geólogo e o geofísico não necessitam da alta resolução sísmica para encontrar os campos gigantescos descobertos no passado, nos quais está trapeado (presos, seguros) a maioria das reservas de petróleo do mundo. Significa que a humanidade tem um conhecimento científico da natureza muito melhor do que tinha antes.




Por causa dos recentes avanços em tecnologia sísmica é muito mais difícil de perfurar um poço exploratório seco. Mas, os altos preços do barril de petróleo antes dos anos 80 estimularam um enorme esforço na perfuração exploratória, denotado no gráfico (acima) pela linha amarela que representa os poços pioneiros perfurados mundialmente. Mas, não mudou a tendência de queda de descobertas. No gráfico acima, as barras verticais verdes descrevem os anos onde as descobertas excederam a produção e as barras verticais vermelhas, os anos onde as descobertas eram menores que a produção.

Desde os anos 80, a produção não tem sido substituída por de novas descobertas. 1999 e 2000 foram anos excepcionais com as descobertas de dois campos gigantes: o campo de Azedegan, com 5 Gb (5 bilhões de barris), no Irã, e o campo de Kashagan, com 10 Gb (10 bilhões de barris), no norte do Mar Cáspio. Kashagan é a maior descoberta depois da descoberta do campo de Prudhoe Bay (12,5 Gb), no Alasca, no final dos anos 60.

“O pico de descoberta de petróleo é seguido pelo pico de produção de petróleo”.
Isto parece óbvio intuitivamente, mas foi negligenciado por muitos. Este fato é a total força da tese de Colin J. Campbell. É um fato –não uma previsão– que após o pico de descoberta de petróleo nos anos 60, apesar do avanço tecnológico e de uma procura mundial contínua, o pico de produção de petróleo seguirá depois disso num pouco espaço presumível de tempo (2005).



Outro algoritmo de Colin J. Campbell – “o pico de produção de petróleo em qualquer bacia ou país, e em toda extensão do mundo, virá perto do ponto médio da depleção, a menos que a produção seja constrangida artificialmente”; Em outras palavras, quando a metade das reservas de petróleo do mundo for produzida, o declínio começará. A revisão de 15/08/2006 define a alteração do pico de descoberta (1964), pico de produção (2004), mid-point (2004) e, na sua tese de doutorado, Fredrik Robelius afirma que uma taxa anual de declínio na produção de petróleo entre 6% e 16% é razoável.

“Deve ser achado petróleo antes de poder produzi-lo” é outro importante algoritmo de Colin J. Campbell.
Esta lógica frequentemente escapa dos economistas que crêem na lei da oferta e da procura e; por isso, vêem a produção de petróleo como somente uma função do número de sondas de perfuração que podem ser construídas e poços que podem ser perfurados.

O gráfico acima “World – conventional oil” mostra a produção de petróleo convencional do mundo. Este é o gráfico do mundo como um todo. As barras verdes mostram as descobertas realçando alguns “spikes” (espigas –picos anômalos de descobertas de campos gigantes) excepcionais no Oriente Médio. O pico de descoberta mundial de campos gigantes de petróleo ocorreu na metade dos anos 60 (1964). O modelo teórico irrestrito de produção de petróleo é mostrado pela linha pontilhada de cor amarela. É frequentemente referida como a curva de Hubbert, nomeada assim depois que o afamada geólogo Marion King Hubbert, da Shell, predisse o pico de produção de petróleo dos Estados Unidos, 15 anos antes da ocorrência, usando uma curva matemática. O pico de produção real (linha grossa de cor vermelha) relativo ao pico teórico irrestrito (linha pontilhada de cor amarela) é frequentemente superado por diversos tipos de razões como, por exemplo, importações com o preço do barril barato, forças do mercado ou restrições impostas por agências reguladoras. Havia uma coincidência da curva real com a curva teórica até o choque dos preços dos anos 70, quando os preços altos restringiram a demanda (o consumo). Na verdade, o choque de petróleo dos anos 70 cortou a demanda de forma que o pico que veio depois é mais baixo do que teria sido se não houvesse a restrição imposta. Significa que o declínio da curva de Hubbert é menos íngreme do que teria sido sem a restrição. Essa é uma lição que nunca será aprendida pelo capital monopolista de Estado –o imperialismo– como uma tarefa de urgência para garantir a preservação da vida para aqueles que ainda poderão nasceram. Se fosse produzido menos hoje, lá é deixado mais para o amanhã.




Com 6% da área de terra do Mundo e mais de 4.000 milhas de linha de costa, os Estados Unidos representam uma área considerável para exploração. Mas, de fato, quanto petróleo a natureza entregou aos Estados Unidos? Os Estados Unidos já consumiu 176 bilhões de barris de petróleo da reserva total de 200 bilhões de barris de petróleo que a natureza lhes entregou. Os Estados Unidos têm para extrair somente 24 bilhões de barris de petróleo. Já descobriram quase todo (99%) o petróleo que existia e consumiu 88% da reserva total.. Se mais petróleo pudesse ter sido achado nos Estados Unidos, teria sido achado. Ninguém duvidaria que a indústria do estado-da-arte tecnológica dos Estados Unidos é trazida para impulsionar prontamente qualquer desafio que se apresente no caminho da exploração e explotação dos combustíveis fósseis e/ou de qualquer outro recurso natural do planeta Terra. Além disso, não há nenhuma escassez de dinheiro. Há todo incentivo para a propriedade privada explorar e produzir os combustíveis fósseis.



A experiência industrial petrolífera nos vários países tem revelado que sua capacidade de produção atinge o máximo cerca de 25 a 40 anos após ocorrer o máximo da taxa de descoberta de reservas. Nos Estados Unidos a curva de produção exibiu o seu pico máximo em 1972, 42 anos depois do pico de descobertas, em 1930. No Mar do Norte, a produção máxima atingiu o pico em 2000, 27 anos depois do pico de descoberta, em 1973.  Note o surpreendente impacto da tecnologia no Mar do Norte. Reduziu o atraso entre o pico de descoberta (1973) e o pico de produção (2000), comparado com os Estados Unidos, de 42 para 27 anos.



A Índia atingiu o seu pico máximo de produção em 2004, 30 anos depois de ter alcançado a taxa máxima de descoberta, em 1974. As transnacionais petroleiras ficam cada vez melhores para esvaziar (depletar) os recursos naturais do planeta Terra.

Hoje, os Estados Unidos estão na dependência principalmente das reservas de petróleo do Oriente Médio que ainda tem 432 bilhões de barris de petróleo (46% da reserva total de 933 bilhões de barris de petróleo) ainda para ser produzido. O Oriente Médio foi contemplado pela natureza com 36% (684 bilhões de barris de petróleo) do total da reserva global (1,9 trilhões de barris de petróleo). É por isso que o gráfico de produção de petróleo do Mundo “world–conventional oil” reflete a produção de petróleo do Oriente Médio “Middle East Gulf”. O “mid-point” do Oriente Médio, revisado por Colin J. Campbell, em 15/08/2006, passou para 2018, o pico de descoberta para 1948 e o pico de produção para 1974, 26 anos depois da data do pico de descobertas.




Nos campos de petróleo velhos ainda em desenvolvimento no mundo, o avanço tecnológico pode manter a taxa de produção (extração de petróleo do reservatório) mais alta, acima da produção que seria numa situação normal destes campos envelhecidos, já em declínio de produção. Mas, o avanço tecnológico tem apenas pequeno impacto nas reservas recuperáveis dos campos petrolíferos. Enorme quantidade de petróleo em um reservatório não pode ser extraída, porque é segurada lá por forças capilares e constrições naturais. A porcentagem recuperada pode ser melhorada em alguns casos, mas por nenhum meio todos os casos. Na maioria dos campos de petróleo a eficiência máxima de produção ocorre no início do desenvolvimento da extração.

Em suma, o principal impacto do avanço tecnológico tem sido, na verdade, manter altos níveis de produção (extração de petróleo) em reservas petrolíferas já conhecidas. A produtividade elevada, ironicamente, antecipa o fim do petróleo ao esgotar mais rapidamente essas fontes. A tecnologia não aumenta o número de descobertas realmente ponderáveis, só acelera a retirada do petróleo do reservatório. O investimento em novas tecnologias pode até expandir um pouco a produção de petróleo, mas também pode danificar o reservatório. Conclusivamente: a tecnologia antecipa a crise energética que enforca o imperialismo e põe a espécie humana mais próxima da extinção.

O alicerce do problema é que sem energia, não há produção; sem produção, não há mercadoria; sem mercadoria, não há venda; sem venda, não há lucro; sem lucro, não há razão do capital; sem o capital, não há exploração do trabalhador pelo patrão; sem exploração do trabalhador pelo patrão, não há regime democrático burguês nem Estado burguês e tampouco governo burguês; sem democracia burguesa nem Estado burguês e tampouco governo burguês, o que virá é a libertação de toda a humanidade.


Independente da quantidade de habitantes do planeta Terra, uma boa qualidade de vida no futuro está associada à existência de uma sociedade onde todos sejam iguais, sem a presença dos donos dos meios de produção e inexistência da propriedade privada. Ou seja, uma sociedade socialista global.

O modelo teórico e prático de Marion King Hubbert tem ramificações políticas, econômicas e de política internacional significativas. É por isso que para o capitalismo imperialista, falar no pico de Marion King Hubbert (formato de sino –ajustamento logístico– baseado na hipótese muitas vezes já constatada de um processo de extração que conduz ao esgotamento de um recurso essencial para a indústria moderna, não renovável e; por tanto, finito), é como falar em corda numa casa de enforcado.

Cem anos de crescimento econômico fácil para o capitalismo está terminando. Não há como fugir da realidade de que o fim do petróleo abundante e barato que sustentou o desenvolvimento da civilização industrial e da sociedade tecnológica, é coisa do passado.
Isto porque os campos gigantes de petróleo, de fácil descoberta e extração, também são coisas do passado. A taxa de produção de uma percentagem crescente de campos gigantes de petróleo está já a declinar. A relação EROI (Energy Retorno on Investment – Retorno Energético sobre Investimento) torna-se crescentemente ineficiente com o tempo. Os maiores campos de petróleo recuperavam 50 barris para cada barril gasto na extração, transporte e refino do petróleo. Hoje são recuperados entre um e cinco barris para cada barril usado no processo de recuperação. O motivo do decréscimo na eficiência é que o petróleo torna-se cada vez mais difícil de ser extraído à medida que o campo vai sendo drenado.

A perspectiva global de drástica redução da produção (extração de petróleo), conseqüência da depleção (esvaziamento inevitável do reservatório) da matéria-prima fundamental que tem dirigido as economias capitalistas do Mundo desde a metade do último século, é imposta pela limitação geológica de reposição dos recursos minerais e fósseis pela natureza. As condições geoquímicas adequadas que deram origem aos recursos minerais e fósseis num longo período de tempo geológico não mais se repetirão no planeta Terra.

Então, o pico de petróleo é que irá determinar o futuro da humanidade:


• O petróleo surgiu da decomposição de micro-organismos que foram enterrados sob formações geológicas (rochas sedimentares) no fundo do mar há milhões de anos atrás;

• Em alguns casos o mar retraiu –o que explica o petróleo existente em terra;

• Antes do primeiro poço de petróleo ser escavado na Pensilvânia em 1859 havia 2 trilhões de barris de petróleo, espalhado desigualmente pela terra;

• A natureza não fará para a humanidade uma segunda porção de petróleo;

• A condição de escassez do petróleo é crescente e permanente;

• Seus efeitos recairão sobre todos nós;

• As flutuações no preço e o avanço tecnológico afetam apenas a produção de petróleo;

• A crise energética atual não é uma recorrência dos choques de petróleo dos anos setenta (73 e 79). Trata-se de uma crise energética que enforca o imperialismo e pode levar a espécie humana à extinção caso prossiga a obsessão pelo plantio extensivo de necrocombustíveis para substituir o petróleo.

A civilização industrial e a sociedade tecnológica já estão consumindo a segunda metade da herança petrolífera deixada pela natureza para a humanidade. Já consumiram 967 bilhões de barris de petróleo (51% da reserva total de 1 trilhão e 900 bilhões de barris de petróleo). O fim da abundância e do petróleo barato tem exposto a extremada dependência da civilização industrial por esse liquido viscoso e forçado que a imperiosa águia mostre ainda mais suas brutais e violentas garras. O pico de petróleo ou pico de Hubbert é a verdadeira razão para o lançamento da guerra ao “terrorismo” e do assalto aos depósitos de petróleo do Oriente Médio, Ásia Central, África e América Latina e Caribe.

As transnacionais petroleiras e as multinacionais ligadas umbilicalmente ao aparato militar industrial do capitalismo imperialista está centrado pela sede do recurso mais precioso e também crescentemente mais escasso e cada vez mais caro dos tempos atuais: o petróleo. Logo, invadir, ocupar, dominar e controlar as rotas do petróleo em todos os lugares estratégicos, principalmente os mais próximos dos Estados Unidos como é o caso do Haiti, e assaltar os depósitos petrolíferos em todos os continentes é a prioridade e a obsessão do imperialismo. Tudo isso para o imperialismo é de primeira grandeza, pois irão garantir os interesses das transnacionais petroleiras e das multinacionais ligadas umbilicalmente ao aparato militar industrial do capitalismo imperialista. Os povos do Oriente Médio são as vítimas mais arrasadas da brutal doutrina do “eixo do mal”.

É por isso também que, enquanto o imperialismo faz zunir seus mísseis e despejam suas bombas sobre as cabeças dos povos miseráveis do planeta Terra, paira sobre todos nós a ameaça da maior crise econômica global que a humanidade em breve verá. Trata da maior crise nunca alguma vez vista antes pela humanidade. Pior que a queda do Império Romano, só que globalmente crescente e permanente, porque é imposta pela limitação geológica das províncias petrolíferas quase todas já descobertas e em ritmo acelerado de declínio de produção O crescimento econômico do capitalismo não será mais possível e as falências serão conseqüências plausíveis; todavia, o capitalismo não morrerá de caduco.

Agora é preciso que a direção revolucionária da humanidade dê um basta na sua crise existencial e assuma a responsabilidade de salvar a espécie humana da iminente possibilidade de sua extinção no planeta Terra.

 

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Fontes:

  • ASPO – Association for the Study of Peak Oil and Gas;
  • Colin J. Campbell – Peak Oil/Lecture – Presentation at the Technical University of Clausthal;
  • Dalton F. Santos – A Crise Energética Enforca o Imperialismo – Geopolítica do Petróleo, Perspectiva Global na Produção e Depleção das Reservas de Petróleo do Mundo;
  • UST – Tese;
  • Pablo Hernández – Centro de Formacion Ideológica;
  • http://www.dani2989.com/matiere1/oilpopulationprod26112006pt.htm




(*) Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno de Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: palma@infonet.com.br

 

 

 

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