O pagamento da dívida pública (interna e externa) mata!
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 31/03/08
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Os efeitos do pagamento dos juros e serviços da dívida pública (interna e externa) são catastróficos para a imensa maioria do povo brasileiro
Não é só a qualidade de vida dos aposentados que está reduzida em 80% por causa da necessidade do governo Lula fazer superávit fiscal primário, garantindo o pagamento de juros e serviços da divida pública (interna e externa), contraída pelo Tesouro Nacional brasileiro. As escolas e os hospitais, a educação e a saúde pública estão em ruínas.
Como o governo Lula precisa fazer superávit fiscal primário para pagar os juros e serviços da divida pública (interna e externa), o caos também é geral na saúde pública da República do Brasil. Os impostos e contribuições sociais pagas pela imensa maioria do povo brasileiro não retorna em forma de educação, saúde, moradia e alimentação decente. A esmola do bolsa família é insignificante.
Além do pagamento dos juros e serviços da divida pública, grande parte dos impostos e contribuições sociais é carreada para subsidiar os setores patronais, as grandes empresas e bancos nacionais e internacionais.
Quem paga os impostos não tem atendimento social decente. Não recebem de volta o que pagam. Os números de óbitos por dengue ilustram o caos generalizado também na saúde pública. Milhares de trabalhadores, os mata-mosquitos, foram demitidos e a atual epidemia de dengue é a maior de todos os tempos.
Os salários dos profissionais da saúde pública são extremamente baixos e eles não têm as mínimas e necessárias condições de realização do trabalho preventivo na saúde pública. No Estado do Rio de Janeiro, a dengue já está matando três vezes mais do que a última epidemia ocorrida em 2002. As residências não são mais vistoriadas, de forma adequada e efetiva, por falta principalmente de recursos humanos necessários. Os focos do mosquito da dengue já se alastram pelo Brasil afora. É o pagamento de juros e serviços da divida pública que reabre as portas para os transmissores de doenças aparentemente já extintos.
Os hospitais públicos estão absolutamente abandonados, também sem seus recursos humanos adequados e bem remunerados que são imprescindíveis e necessários para poderem dar um atendimento decente aos pagadores de impostos e de contribuições sociais. Por causa da falta de estrutura e equipamentos, a furadeira de parede já faz parte dos equipamentos ortopédicos; portanto, do dia-a-dia. No entanto, nem mesmo as furadeiras de paredes, máquinas que substituem a falta do equipamento adequado para cortar o gesso dos pacientes, funcionam.
Nos hospitais públicos, quando têm, o ar condicionado não funciona, o material ortopédico está sucateado e há emissão demasiada dos raios-x dos equipamentos de raios-x, além da inexistência até de fios de suturas. O lixo hospital é jogado no chão das enfermarias. O que se vê é Pacientes vestindo a própria roupa que trouxeram de casa, deitados em macas sem colchões ou forradas com papelão. Nos corredores lotados, sem cadeira ou maca, os pacientes têm que sentar no chão. Os remédios ficam armazenados em armários sem portas, cheios de mofos. A roupa dos pacientes e material cirúrgico ficam amontoados. Os médicos e enfermeiras (os) não têm sequer onde lavar as mãos. A luta contra o não pagamento da dívida pública (interna e externa) é imprescindível e necessária e urgente.
(*) Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno de Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: palma@infonet.com.br
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