Petrobras: contaminação e morte no Equador
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 08/05/08
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Crianças das Comunidades de Palo Azul já começaram a morrer devido à contaminação por petróleo extraído pela Petrobras
No Equador, a Petrobras explora o petróleo e o povo oprimido equatoriano. A Petrobras tem com o país equatoriano contrato leonino e fraudulento. Por isso, a população do Equador quer a Petrobras fora da região amazônica equatoriana.
A caravana da Conlutas-Brasil composta de 8 camaradas de diversos sindicatos, cujo objetivo principal é estabelecer relações de solidariedade internacional das lutas da classe trabalhadora e dos povos oprimidos de toda a América Latina e Caribe, ainda se encontrava na cidade de Quito-Equador quando três membros da caravana visitaram a Amazônia equatoriana.
Do Equador, a Caravana partiu para a Venezuela. Para garantir o estabelecimento da internacionalização da solidariedade nas lutas operárias e do povo oprimido da America Latina e Caribe, a Conlutas-Brasil, junto com a COB (Bolívia), Batay Ouvriye (Haiti) e organizações de trabalhadores do Uruguai, somado agora a CCURA da Venezuela, convoca todos que queiram lutar contra o imperialismo para participarem do ELAC (Encontro Latino Americano e Caribenho) que ocorrerá em julho, na cidade de Betim - Estado das Minas Gerais, no Brasil.
No Equador, três dos companheiros da Caravana -Dalton (petroleiro da Petrobras), Denis (Ecologista Socialista) e Eder (químico)- convidados pela Acción Ecológica, estiveram, por dois dias, nas regiões produtoras de petróleo do Equador, campos de petróleo de Libertador e Palo Azul, operados pela Petroecuador e Petrobras, respectivamente.
Na região da Amazônia equatoriana, onde está localizado o campo de Libertador, vive o povo indígena Cofanes com quem a Conlutas manteve contato direto, participando inclusive de uma festa política, na aldeia. As terras indígenas dos Cofanes, nessa região, encontra-se bastante degradada devido o descuidado da Petroequador no processo de extração de petróleo do campo de Libertador.
Situação pior foi constatada pela Conlutas na área do bloco 18, província geológica chamada agora de Palo Azul, antes denominada de Palo Vermelho. O Bloco 18 é dominado e controlado pela Petrobras que, infelizmente, também foi constatado pela Conlutas total negligencia da empresa petroleira, que porta o brasão brasileiro (ainda que seja uma transnacional como as demais), no trato com o meio ambiente nessa porção da floresta amazônica equatoriana.
A extração do petróleo equatoriano tem uma relação de extração de 5 barris de água de formação (água fóssil altamente contaminante) para cada barril de petróleo que é produzido. A produção é de 40 mil barris de petróleo por dia. Logo, 200 mil barris de água de formação também são produzidos. A maior das irresponsabilidades da Petrobras constatada está no descarte da água de formação que é trazida da profundidade de mais de 2.500 metros, junto com o petróleo, até a superfície.
Lideranças das comunidades atingidas pelos males da exploração e produção de petróleo, na região de Palo Azul, afirmam que a Petrobras fica livre da água contaminante, jogando-a nos rios existentes. Conseqüência desse descaso com a natureza por parte da Petrobras, cerca de 70% das crianças das quatro comunidades, habitantes voluntários nessa região, adquiriu uma doença de pele que certamente é causada pelo benzeno, um dos hidrocarbonetos aromáticos cíclicos do petróleo. É uma doença, de nome Dermatite de Contato, muito comum em trabalhadores da indústria petrolífera, principalmente na exploração, produção e refino de petróleo, locais de trabalho de contato direto com o benzeno. A doença de pele é acompanhada de outros sintomas que tem levado a morte.
A maior incidência dessa doença de pele nas crianças ocorre na comunidade localizada abaixo do local de descarte da água contaminante pela Petrobras. Essas comunidades, empobrecidas, que recebem migalhas dadas pela Petrobras, até acreditam que estão sendo beneficiadas, inclusive suas lideranças pensam assim. Até mesmo o valor financeiro que chega as comunidades está abaixo do fixado pela própria Petrobras (informação fornecida pelas próprias lideranças das comunidades que já descobriram a maracutaia).
A recarga dos aqüíferos de água doce sendo feita pela água de formação deixa todos os reservatórios de água doce contaminados, ficando a água inapropriada para o consumo humano e dos animais. Ou seja, a sobrevivência da espécie humana está seriamente ameaçada nessa porção da floresta equatoriana. Há comprovação também de que a Petrobras, constituída de 70% de capital financeiro internacional que caracteriza-a como uma transnacional, desrespeita a Constituição do Equador para se apoderar ilegalmente das reservas de petróleo do povo oprimido do Equador. A Conlutas-Brasil se coloca politicamente na mesma posição do povo equatoriano que exige a anulação dos contratos da Petrobras no território nacional do Equador.
(*) Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno de Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: palma@infonet.com.br
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