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Caracas / Venezuela -
 


O pico de petróleo estabelece a
inevitabilidade do conflito mundial

Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 10/06/08



A luta pela nacionalização do petróleo e gás do Brasil e por uma Petrobras 100% brasileira é o encaminhamento mais acertado dos movimentos políticos, populares e sindicais do Brasil

O pico de petróleo explica a crise energética e a irrefreável elevação do preço do barril de petróleo e dos alimentos. O preço do barril de petróleo já está muito acima de 130 dólares. A segunda metade da reserva mundial de petróleo já está sendo consumida. O declínio da produção mundial de petróleo é inevitável. A oferta já não acompanha a demanda cada vez mais possante. O capital petroleiro e financeiro fica cada vez mais impossibilitado de mascarar, enganar, falsificar e manipular os dados globais de reservas petrolíferas. Desde Janeiro de 2007 que o preço do barril de petróleo tem vindo a subir incontrolavelmente. E o que é visto é o aumento de mortes por falta de grana para poder comprar os alimentos. A humanidade já está à beira do abismo.


Luta pela nacionalização das reservas de petróleo do Brasil e por uma Petrobras 100% brasileira

O conflito mundial é inevitável porque o pico mundial de petróleo é insuperável. Nem mesmo toda a reserva do pré-sal do litoral brasileiro e de outras províncias geológicas sedimentares ultras profundas do globo terrestre contribuem significativamente no sentido da superação do pico mundial de petróleo. Essa constatação é a justificativa da luta, de vida ou de morte, pela nacionalização das reservas de petróleo do Brasil e por uma Petrobras 100% brasileira.


“Está terminado. Beije seu estilo de vida e dê Adeus”

Já foi constatado que 70% do produto interno bruto dos Estados Unidos resultam do consumo da população estadunidense. Assim, a essência do domínio imperial dos Estados Unidos é a preservação de um sistema de vida que consome, da produção mundial de hidrocarbonetos, 25% do petróleo, 20% do gás e mais de 40% da gasolina. Logo, os Estados Unidos não abrem mão do aumento do seu consumo energético fóssil. Por outro lado, a oferta mundial não poderá cobrir a crescente demanda cuja previsão para 2010 é 93 milhões de barris de petróleo por dia. Para garantir o crescimento do consumo de energia fóssil é necessário para os Estados Unidos brecarem o crescimento econômico dos chamados países em desenvolvimento, impondo a lei do mais forte. Já foi dito - “Está terminado. Beije seu estilo de vida e dê Adeus”.


O maior campo de petróleo do mundo já está esgotando

Ghawar, o maior campo de petróleo convencional do mundo, localizado na Arábia Saudita, sempre foi e ainda é extremamente importante para a política econômica neoliberal dos países imperialistas. Ghawar representa mais da metade da produção acumulada de petróleo da Arábia Saudita. Embora seja um único campo numa enorme estrutura anticlinal, Ghawar é dividido em seis zonas -Fazran, Ain Dar, Shedgum, Uthmaniyah, Haradh e Hawiyah- de norte para sul. Por ser um campo super gigante de petróleo, os registros das ocorrências em Ghawar podem ser extrapoladas para as demais províncias geológicas produtoras de petróleo do mundo.


Campo de petróleo e gás de Ghawar



Ghawar foi descoberto em 1948 e iniciou sua produção em 1951. Até 1981, Ghawar estava produzindo 5.7 milhões de barris por dia, que foi o pico de produção. Esta é a mais elevada taxa de produção de petróleo alcançada e sustentada, por trinta anos, por um único campo de petróleo, na história mundial. No momento em que esse recorde foi atingido, as regiões meridionais de Hawiyah e Haraadh ainda não tinham sido plenamente desenvolvidas para a produção. Após 1981, a produção de Ghawar foi restringida por razões de mercado. Foi quando a produção do campo Samotlor, na Rússia, passou a ser maior, durante meados dos anos oitenta. Mas, com o desenvolvimento das áreas de Hawiyah e Haradh, durante o período de 1994 a 1996, permitiu a produção do campo de Ghawar exceder 5 milhões de barris por dia, mais uma vez.

Ghawar começa a agonizar a partir de 2001, quando a produção de petróleo fica em torno de 4.5 milhões de barris por dia. A percentagem de água que é retirada com petróleo do campo de Ghawar vem crescendo de 30–55%. Isso significa que Ghawar já atingiu o seu pico de produção de petróleo. Pois, mais da metade do fluido produzido do campo é água. Hoje, a taxa de declínio é 8%.


A área de fechamento estrutural do anticlinal de Ghawar é muito menor da que foi inicialmente prevista

Mais de 3.400 poços já foram perfurados nessa colossal estrutura geológica, cuja imensa maioria deles é de injeção de água. A área ocupada por petróleo no anticlinal de Ghawar não é muito grande quando comparada com a área delimitada pelos pontos distantes do ápice do anticlinal, locados para os primeiros poços injetores de água, até a base do contato óleo-água.

Ou seja, a área de fechamento estrutural do anticlinal de Ghawar é muito menor da que foi inicialmente prevista. Além disso, a metade norte do campo de Ghawar não é tão produtiva quanto é a metade sul. A água ainda é injetada nos reservatórios carbonáticos do anticlinal de Ghawar, a fim de manter a pressão e permitir a produção de 5 milhões de barris de petróleo por dia. O mais provável é que o declínio da produção de petróleo saudita está a caminho. O mesmo fato ocorre nas demais províncias geológicas petrolíferas do mundo, exceto as das águas ultras profundas do litoral brasileiro, ainda em fase inicial de exploração, sob a espessa camada do pré-sal, de idade alagoas.


Fechamento Estrutural do Campo de Ghawar

A queda brusca de produção do petróleo saudita estabelece a subida irrefreável do preço do barril de petróleo e dos alimentos.

A produção de petróleo saudita começou a cair bruscamente no inicio de Julho de 2005. Em Janeiro de 2006, os preços do barril de petróleo dispararam. Quando a queda de produção passa a ficar mais lenta, o preço do barril de petróleo cai um pouco. Logo em seguida, apesar da ligeira tentativa de superação da produção anterior, alcançada em Julho de 2005, o preço do barril de petróleo tem vindo a subir estratosfericamente, a partir de Janeiro de 2007 até hoje.

A tentativa de superar a produção anterior, alcançada em Julho de 2005, ocorre em Outubro de 2008 quando a produção aumenta um pouco no inicio de 2008. Mas, a nova produção saudita não tem acompanhado a previsão do crescimento até atingir o nível da última elevada produção de petróleo anterior, registrada em Julho de 2005. O que só tem a ver com a extração de maior volume de água em relação ao volume de petróleo, retirados do reservatório do campo de Ghawar. Este é o primeiro sinal do declínio irreversível da produção de petróleo da Arábia Saudita. É o que neste exato momento está ocorrendo com as demais províncias geológicas petrolíferas convencionais do mundo. Conseqüentemente, o preço do barril de petróleo subirá patamares cada vez mais elevados.


O platô do pico de petróleo saudita

A partir de Janeiro de 2003, pode ser visualizado no gráfico de produção de petróleo da Arábia Saudita um grande platô, delimitado entre 8 e 10 milhões de barris de petróleo por dia. A questão principal é – por quanto tempo o planalto do pico de petróleo saudita permanecera dentro desse nível? Muito dependerá de Ghawar.

Não devemos tirar da mente a revisão da ASPO (The Association for the Study of Peak Oil and Gas), a qual revelou que os sauditas impulsionaram suas reservas “in place” de 170 para 260 bilhões de barris de petróleo. Então, o “midway point” das reservas provadas da Arábia Saudita, que produz em média 3 bilhões de barris de petróleo por ano e já produziu uma acumulada de 100 bilhões de barris de petróleo, não é a meia distancia de 260 bilhões de barris de petróleo, que levaria 10 anos. A constatação de menor área do fechamento estrutural do anticlinal de Ghawar em comparação com a prevista e o maior percentual de produção de água em relação ao petróleo, extraídos hoje dos reservatórios do campo de Ghawar, confirmam os dados revelados pela ASPO.


Conclusão

A luta pela nacionalização do petróleo e gás do Brasil e por uma Petrobras 100% brasileira é o encaminhamento mais acertado dos movimentos políticos, populares e sindicais do Brasil.

 

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Fonte de Pesquisa:

http://www.soberania.org/Articulos/articulo_4103.htm

http://www.gregcroft.com/ghawar.ivnu

http://www.theoildrum.com/node/2563

http://home.entouch.net/dmd/ghawar.htm

 





(*) Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno da Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: palma@infonet.com.br

 

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