O pré-sal, a Petrobras, o Brasil e os Assassinos Econômicos
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 25/08/08
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Equipe de trabalho de Geopolítica Internacional dos Recursos Naturais do Sindipetro ALSE
Assassinos econômicos
Assassinos econômicos, de acordo com John Perkins –um deles–, são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo em golpes de trilhões de dólares. O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América e o Secretário de Estado –Condoleezza Rice– afirmam que os assassinos econômicos é uma “total ficção”. Ou já caiu no esquecimento geral que os dados geológicos do pré-sal foram roubados? Ou Condoleezza Rice acha que ninguém aqui, na América Latina e Caribe, sabe que a IV frota americana (tropa da ARMY Force) já está instalada em cima do pré-sal na Bacia de Santos?
Os assassinos econômicos –pessoas recrutadas a dedo por organizações de espionagens (extremamente secretas) do imperialismo– são treinados para exercer o trabalho que se destina a construir o império dos Estados Unidos da América. O imperialismo dá aos assassinos econômicos as drogas mais fortes da cultura capitalista –o sexo, o poder e o dinheiro que seduzem as pessoas recrutadas para fazerem o serviço sujo. Os assassinos econômicos são colocados como consultores nas diversas empresas privadas como, por exemplo, de engenharia, construção civil para que, quando apanhados com a mão na botija, não pode haver ligação com o governo.
Os assassinos econômicos cooptaram também todos os governos brasileiros, o último deles, o de Luiz Inácio Lula da Silva!
Foram cooptando os governos dos países pobres (países em desenvolvimento ou os emergentes) que os assassinos econômicos construíram o maior império da história do mundo, os Estados Unidos da América. Cooptados pelos assassinos econômicos, os governos dos países emergentes como, é costumeiro, o do Brasil executa a prática da manipulação econômica, da mentira e da falcatrua.
A principal tarefa dos assassinos econômicos é conseguir o endividamento dos países pobres. Cooptados, os governos dos países depauperados fazem enormes empréstimos e, ao mesmo tempo, aumentam as taxas de juros para bem remunerar o capital especulativo nacional e internacional. Em seguida, confiscam os recursos que deveriam ir para os investimentos sociais, via superávit primário, economia para pagar os juros e serviços da dívida pública (interna e externa). Assim é que a maior parte do dinheiro tomado emprestado volta para os Estados Unidos da América e os países miseráveis ficam com a dívida mais imensos juros. E, na prática, tornam-se criados, escravos dos Estados Unidos da América.
A criação da Estatal Pré Sal tem como único objetivo destruir a Petrobras e atender os interesses dos Estados Unidos da América!
Logo, um país como o Brasil é obrigado a entregar aos Estados Unidos da América os recursos fósseis sob o pré-sal, descobertos pela Petrobras. E o governo Lula ainda tem que ajudá-los na instalação da base militar na região de águas ultra profundas, a IV frota americana (tropa da ARMY Force). Da mesma forma que o governo Lula colabora com a tropa da ARMY Force também, no Haiti, para garantir a segurança da rota do petróleo da Arábia Saudita até o sudeste dos Estados Unidos da América. Os Estados Unidos da América vão mais além, obrigam o governo brasileiro a criar a Estatal Pré-Sal para bancá-los na exploração e produção dos campos petrolíferos de águas ultra profundas. É dessa forma que os Estados Unidos da América transformam-se num império monstruoso, bem sucedido.
Os Estados Unidos da América já consumiram quase 90% das suas reservas totais. Dependem do petróleo do Oriente Médio e estão de “olho gordo” nas reservas do pré-sal que podem ser de até 90 bilhões de barris, quase a reserva do Iraque.

O que sobra para a imensa maioria do povo latino americano e caribenho é a miséria!
A figura da corporatocrácia (constituída pelas transnacionais, bancos e governo) visada pelos assassinos econômicos é o governo. É o governo que tem que ser cooptado pelos assassinos econômicos. O PAC –“pacotão do crescimento dos industriais monopolistas”– que remodela a geografia e as leis da América Latina e Caribe, bancado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), é um projeto vendido pelos assassinos econômicos também ao governo Lula. Na verdade, o PAC é o apelido do IIRSA, aqui no Brasil. O projeto IIRSA objetiva transformar o continente latino americano e caribenho numa ilha de escravidão, a fim de garantir a eficiência do projeto “novo século estadunidense”.
Os leilões continuam no governo Lula!
O governo Lula já anunciou a possibilidade de a décima rodada de leilão de petróleo acontecer ainda este ano. Esta é outra forma eficiente de entrega da riqueza do Brasil para os países imperialistas.
A dívida do Brasil já passa de um trilhão e meio de reais! Quanto mais o governo Lula amortiza os juros da dívida mais a dívida cresce. No semestre que já passou o governo tinha que amortizar 156 bilhões de reais, mas o superávit primário só garantiu 90 bilhões de reais. A diferença que é de 66 bilhões de reais foi incorporada à dívida total, é somada ainda a elevação do juro que agora passou para 13%, o que garante a eternidade da dívida pública (interna e externa). Leia abaixo o artigo de Frederico Lisbôa Romão.

O pré-sal, a Petrobras e o Brasil
Frederico Lisbôa Romão*
Em 08 de novembro de 2007, as vésperas da realização da Nona Rodada de Licitação para exploração, desenvolvimento e Produção de Petroleo e Gás Natural a Petrobrás anunciou as primeiras avaliações feitas sobre as reservas da sua maior província petrolífera, particularmente da área denominada de Tupi, localizada na bacia de Santos. Desde então não cessam de surgir surpresas, suposições, novas descobertas e prognósticos variados. A polêmica é plenamente justificável. O Brasil anuncia aos quatro ventos descobertas gigantescas de novos campos no mesmo instante em que o mundo desenvolvido se depara com crise energética, em função da incongruência entre seu consumo e sua produção do petróleo, cuja resultante é a patente escassez desse óleo sem haver no horizonte próximo sucedâneo à altura.
A flagrante repercussão não é sem motivo. Apesar das críticas e acusações que sofreu o presidente da ANP, Haroldo Lima, por ter em abril desse ano anunciado que o campo gigante de Tupi teria reservas em torno de 33 bilhões de barris de óleo equivalente –boe, provocando inclusive oscilações na bolsa, hoje, passados não mais de quatro meses, aquela previsão se tornou rapidamente conservadora. Os prognósticos atuais são muito pomposos.
As novas e alvissareiras descobertas se encontram abaixo de uma espessa camada de sal, daí a denominação pré-sal, a aproximadamente 6.000 metros de profundidade. O bloco está distribuído entre o litoral dos estados do Espírito Santo até Santa Catarina, em área de aproximadamente 800 quilômetros, abrangendo as bacias sedimentares do Espírito Santo, de Campos, bem como a bacia de Santos. As primeiras análises apontam para a existência de óleo leve de boa densidade 30º API (American Petroleum Institute).
Inicialmente, previam-se reservas em torno de 5 bilhões de boe, passando-se para 8 bilhões, permitindo-se,ora, prognósticos que já posicionava o Brasil como exportador de petróleo. O presidente da ANP em abril falou em 33 bilhões. Hoje as previsões vão de 100 a 338 bilhões de boe. Para se poder compreender melhor o que representam esses números é necessário saber que atualmente as reservas provadas do Brasil são da ordem de 14 boe, as da Arábia Saudita 264 boe.
O tamanho da riqueza, como não podia ser diferente, está fazendo a temperatura das discussões e decisões políticas crescerem rapidamente. Em julho foi criada uma comissão de sete pessoas (4 ministros e três presidentes de estatais) para, em 60 dias, apresentar a Lula propostas de regras para a exploração do pré-sal. Mais recentemente, pronunciamentos do Presidente da República e do Ministro das Minas e Energia (este último coordena a comissão afim), apontaram na direção da criação de uma nova empresa puramente estatal, que teria o fim último de gerir respectiva riqueza; ou seja, a Petrobrás ficaria de fora, pois como falou o presidente Lula, o petróleo do pré-sal não pode ser explorado por “meia dúzia de empresas”.
Essa proposta de retirar das mãos da Petrobrás a exploração dessa imensa riqueza suscita imperativamente uma vigorosa discussão no conjunto da população brasileira. Apresentam-se algumas questões à guisa de melhor problematizar o tema:
• Em primeiro plano é importante frisar que, a despeito de todas as investidas contrárias, a Petrobras soube até hoje cumprir seu papel, sendo a adquirida auto-suficiência e a alta tecnologia de prospecção de petróleo prova inconteste.
• Segundo, como justificar regras, as quais excluem a empresa que pesquisa e utiliza seu know how na descoberta fique de fora da exploração? O prêmio por seu esforço e sua competência seria seu esvaziamento? De tal sorte, na prática é isso que vai ocorrer, pois o que são 14 bilhões próximos dos 100, 200 ou 300 bilhões de boe.
• Terceiro, a tecnologia para exploração em águas profundas é patrimônio da Petrobras e dos seus trabalhadores de forma técnica e tácita, logo surge mais uma questão: em que local essa nova empresa vai buscar a tecnologia, será que a Petrobras além da descoberta, dos seus dados, também terá que disponibilizar seus trabalhadores, perdendo memória técnica? Se isso ocorrer além do esvaziamento financeiro a Petrobras também sofrerá o esvaziamento técnico.
• Quarto, sob a batuta da Petrobrás, por sua história de luta, seu enraizamento na sociedade, o povo brasileiro tem garantia de que a riqueza descoberta estará segura; quanto a essa nova empresa só restam interrogações? A proposta é que será puramente estatal; mas até quando? O governo Lula passa e depois?
• Quinto, outra salvaguarda fundamental da Petrobrás e, portanto, das riquezas que a mesma administra são seus trabalhadores. A qualidade técnica e o compromisso dos mesmos são fatos insofismáveis. Sua capacidade de luta e questionamento ao status quo já foi posto à prova em diversos momentos da história política brasileira, neste tocante, mais recentemente, é digna de nota a greve dos petroleiros de 1995, sabido fator de resistência à política privatista do governo FHC, e nessa nova empresa como será?
É importante salientar que reservas minerais ou vegetais, por mais riqueza que elas representem, não têm sido sinônimo de fartura para seus países e seus povos, muitas vezes significam mesmo o oposto. O que dizer dos diamantes da África do Sul, das minas de cobre do Potossi na Bolívia, do petróleo na Nigéria e mesmo do Pau-Brasil, Cana de Açúcar, Borracha, Cacau, Café, Ferro, Manganês, etc., etc., etc, do Brasil?
O Brasil tem pressa, sua desigualdade social e seu povo faminto não podem esperar, sabe-se disso, porém não foi e não é por falta de riqueza que falta educação, saúde, segurança, e qualidade de vida para grande maioria do nosso povo. A dimensão das descobertas do pré-sal, a responsabilidade ética com as futuras gerações exigem decisões abertas, para além dos palácios e comissões incorporando a voz do conjunto da sociedade. É imprescindível a criação de fóruns de discussão, incorporando a presença e os pontos de vista de organizações e entidades a exemplo da: OAB, ABI, UNE, CNBB, DIEESE, CONFEA, MST, CONTAG, Centrais Sindicais, Federações de Trabalhadores, Centrais do Movimento Popular.
*Frederico Lisbôa Romão, é doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP - Tec. Op. Pl. Petrobras (+55(xx)7999770535 ) / Equipe de trabalho de Geopolítica Internacional dos Recursos Naturais do Sindipetro ALSE
O governo Lula serve “àqueles que têm no lugar do coração, um cofre”!
Os homens mais ricos do mundo são ou não são íntimos dos governos? Eles fazem ou não fazem inúmeras parcerias público-privadas ou diversas empresas misturadas com os governos? Esses parceiros dos governos conquistam riquezas, não pela excelência na eficiência produtiva e pelo marketing brilhante, mas por serem excelentes em fazerem “lobbies” num antro de picaretas e exercerem influência política junto ao governo Lula. Isso só não é enxergado por aquele que não quer ver, ou tem o rabo preso.
Os assassinos econômicos fazem com que os governos criem leis que elimine a concorrência –é o caso da criação da estatal do pré-sal pelo governo Lula para eliminar a Petrobras da concorrência no livre mercado do setor petróleo e do gás natural– e garanta às transnacionais dos países capitalistas imperialistas os meios eficientes e as condições adequadas para a criação de monopólios e cartéis apoiados pela força política dos governos, no caso da entrega das reservas do pré-sal, a força política do governo Lula.
Não é necessário ser um especialista em geopolítica internacional dos recursos naturais para identificar o modo descarado de propaganda do governo de Luis Inácio Lula da Silva para entregar de “mão beijada” as reservas do pré-sal aos Estados Unidos da América. O que já mandaram o Lula fazer foi dar o primeiro passo –“lançar a discussão da criação da estatal do pré-sal”. O lançamento dessa discussão é feito pelo governo Lula com base num compromisso “humanitário” –a educação–, quando, na verdade, o objetivo real é a garantia dos contratos lucrativos para as transnacionais dos países capitalistas imperialistas, impulsionando o declínio irreversível do padrão de vida da imensa maioria da população brasileira.
Felizmente, existem pessoas maravilhosas que lutam para melhorar a sorte e o destino da humanidade contra a oposição dos capitalistas imperialistas sem coração que se preocupam apenas com os seus lucros. Ou melhor, como é dito pelo TOETA - “eles têm no lugar do coração, um cofre”!
A luta que deve ser feita para derrotar o governo e o imperialismo é a luta pela nacionalização dos recursos naturais de toda a América Latina e Caribe e por uma Petrobrás 100% brasileira!

[*] Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno da Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil. / Email: santos240@gmail.com
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