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Caracas / Venezuela -
 


Petrobras bate recorde de lucro!
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 19/11/08

Trabalhadores petroleiros brasileiros assinam o pior dos acordos e Petrobras bate recorde de lucro!

Já passaram oito anos do século 21 e o capitalismo permanece fortemente dependente do combustível pelo qual tem sido alimentado nos últimos 100 anos: petróleo. O preço do barril de petróleo superior a 20 dólares exige a busca de fontes alternativas de energia. Por outro lado, o preço abaixo de 35 dólares inviabiliza o lucro das transnacionais.

O lucro líquido da Petrobras foi de 96% que bateu recorde no trimestre entre julho e setembro de 2008. Saltou de 5.5 bilhões de reais, em julho – setembro de 2007, para 10.8 bilhões de reais, no mesmo período de 2008. O acumulado do ano também é recorde. De janeiro a setembro de 2008, a Petrobras registra lucro liquido de 26.5 bilhões de reais contra 16.4 bilhões de reais em igual período de 2007, o que significa alta de 61%. O barril de petróleo a US $ 50 ou US $ 40, respectivamente, corresponde 218% ou 155% do preço de venda de 1999. A Renda Petroleira é admirável.

As transnacionais petrolíferas não estão preocupadas com a oscilação que sofre o preço do petróleo acima de US $ 40 o barril, mesmo porque é um negócio de longo prazo, o mercado é visto daqui até mais de vinte anos na frente e o capitalismo vai continuar precisando de petróleo para poder tentar superar a impossibilidade real do crescimento econômico.



Na Arábia Saudita, o custo médio de produção do barril de petróleo convencional é de US $ 5 e no Brasil a média é por barril US $ 14.9. A previsão do custo médio de produção do barril de petróleo não convencional (pré sal de água muito profunda) é de US $ 35. Veja, então, o tamanho da Renda Petroleira acumulada pelas transnacionais petrolíferas! Os Barris de petróleo cujo custo médio de produção é de US $ 5 (Oriente Médio) e US $ 14.9 (Brasil), respectivamente, serão vendidos acima de US $ 35. Quando o preço do barril de petróleo chegou ao recorde de US $ 147, a alta foi de 2.840% em relação ao custo de produção de US $ 5 e 887% ao custo de US $ 14.9 por barril. Abaixo de US $ 60, o aumento é de 1.023% para o custo de produção por barril de US $ 5 e preço do barril de US $ 56.16. Para esse mesmo preço a elevação é de 277% para o custo de produção de US $ 14.9.


O pico de petróleo ainda não é o fim do petróleo, mas o fim do petróleo barato!

Em 1999, o preço do barril de petróleo estava em torno de US $ 16 o barril. Em julho de 2008, nove anos depois, ele atingiu um pico de US $ 147 o barril, 819% mais elevado. Retornando à casa de US $ 50 ainda fica 218% mais caro.

Amplas oscilações do preço do barril de petróleo sempre foram respostas dadas à demanda e à oferta da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e não OPEP. A OPEP foi criada em 1960 com cinco membros fundadores: Iran, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Até o final de 1971 seis outras nações tinham aderido ao grupo da OPEP: Catar, Indonésia, Líbia, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Nigéria. A OPEP foi formada para manter o preço do petróleo a um nível mais benéfico para os membros filiados como um todo. Desde a fundação e, principalmente, durante 1972 e 1973, os países membros da OPEP experimentaram a diminuição continua do poder de compra do barril de petróleo.

O comportamento dos preços do ouro e da prata ao longo das décadas é similar ao do petróleo.



O preço do barril de petróleo bruto (Nominal Oil Price) variou entre US $ 2.50 e US $ 3.00 a partir de 1948 até o final da década de 1960. O preço do petróleo passou de US $ 2.50 em 1947 para US $ 3.00 em 1959. Quando visualizada em 2008 uma história totalmente diferente emerge com o preço do petróleo bruto que oscila entre US $ 20.75 e US $ 22.00 (6% de oscilação) no mesmo período. O aparente aumento dos preços de 20% apenas acompanhou a inflação.

Ajustado à inflação de 2008 (Bureau of Labor Statistics), o preço do barril de petróleo gira em torno de US $ 20 desde 1946 até 1973, permanecendo abaixo de US $ 20 entre 68 e 71. A partir de 1973, primeira crise do petróleo, o preço do barril foi elevado em quase 80% (78%), saltou de US $ 22.80 para US $ 40.67. No final de 1979, revolução do Iran e, logo em seguida, a guerra Iran – Iraque, o preço do barril de petróleo subiu 367% em relação a 1973, atingindo o equivalente ao pagamento de US $ 106.43 hoje, ajustado para a inflação de abril de 2008.

Somente após a revolução do Iran é que o preço do barril de petróleo começa a cair em queda livre até 1986, alcançando 154% do preço de 73. Os preços permaneceram elevados por mais de uma década, doze anos. No final desta dúzia de anos, o poder de elevação do preço do barril de petróleo da OPEP ruiu. Os preços elevados e a reduzida quantidade de petróleo exigiram maior produção gerada de países não OPEP. A invasão do Kuwait fez aparecer outro pico temporário de elevação de preços.

Desde meados dos anos 70 até final dos anos 90, excluindo os fenômenos geopolíticos que geraram espigões, o preço real do barril de petróleo seguiu uma tendência descendente. Mas, antes de 2003, quando os Estados Unidos da América invadem o Iraque, já havia mudado o sentido da tendência, de descendência para ascendência de preço.

No período de calmaria dos preços, nos dezoito anos seguintes, entre 1986 e 2004, os preços não mais voltaram a ficar abaixo de US $ 20, exceto entre 1998 e 1999. Entre 1998 e 1999 a média do preço do barril de petróleo corresponde a US $ 15.70. Hoje, 2008, quando o preço do barril de petróleo retorna à casa de US $ 50 (US $ 56.16) equivale a 258% do preço de 1999, nove anos atrás.

2005 é o ano da ocorrência do pico de produção mundial de petróleo, 43 anos depois do pico de descoberta global, atingido em 1962. Mas, em 1972, 33 anos antes, os Estados Unidos da América chegam ao pico de produção, 42 anos depois de ter alcançados o pico de descoberta, acontecido em 1930. Tudo isso havia sido previsto por Marion King Hubbert que, por tudo isso, caiu em descrédito. Em relação ao preço de US $ 15.70, entre 1998 e 1999, o aumento foi de 836% quando o barril de petróleo atingiu o recorde de US $ 147. Antes de alcançar o recorde, o preço do barril acima de US $ 100 (acima de 537%) permaneceu durante cinco meses. Acima de US $ 90 (acima de 473%) permaneceu por seis meses. E acima de US $ 60 (acima de 282%) permaneceu por 20 meses. O custo médio de produção do barril de petróleo convencional fica em torno de US $ 10. O volume da Renda Petroleira acumulado pelas transnacionais é incalculável. Por isso, o pico de petróleo ainda não é o fim do petróleo, mas o fim do petróleo barato.

 

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Fontes de Pesquisa:

http://www.wtrg.com/prices.htm

http://inflationdata.com/inflation/inflation_Rate/Historical_Oil_Prices_Table.asp


http://www.wtrg.com/daily/crudeoilprice.html


http://en.wikipedia.org/wiki/Price_of_petroleum


http://mises.org/story/1892



[*] Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo Pleno da Petrobas e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe/Conlutas, Brasil / Email: santos240@gmail.com

 

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