A crise “acabou”, mas o desemprego cresce!
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 11/11/09
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Quanto tempo a classe trabalhadora ainda ficará adormecida, perdendo a oportunidade de construir um novo mundo, de iguais.
A intensa propaganda midiática afirma que os Estados Unidos são uma economia de mercado onde as pessoas físicas particulares e as empresas tomam a maioria das decisões. O governo federal e dos Estados compram bens e serviços necessários predominantemente no mercado privado.
O último dos recordes da taxa de desemprego nos Estados Unidos é batido após 26 anos. A taxa de desemprego situada hoje, outubro de 2009, em 10,2%, ultrapassa pela primeira vez nos Estados Unidos a taxa de desemprego de 9,8%, ocorrida em 1983.

Recorde ainda não batido é a taxa de desemprego que chegou a alcançar o ápice de 22%, acontecida entre 1929 e 1941, mantendo uma média de 15,0%. Essa elevada taxa de desemprego nos Estados Unidos da América é o reflexo de uma das mais greves crises da história do capitalismo imperialista e da democracia burguesa. A quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque desencadeia a crise econômica a partir de 1929. Como acontece hoje, no período entre guerras (1919 – 1939), os governos dos Estados democráticos burgueses procuraram encontrar caminhos para a recuperação do mercado de capitais financeiros internacional.
A Rússia (URSS) foi o único país a não sentir os efeitos da crise econômica mundial deflagrada a partir da quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Isso porque, apesar das grandes dificuldades da Revolução Russa e da Guerra Civil, não se utilizou de recursos financeiros externos, provenientes do capitalismo imperialista.
Dado importante a ser considerado é que o fim da primeira guerra mundial causou a retração da economia dos Estados Unidos da América. Com o fim da guerra, a indústria de guerra dos Estados Unidos da América diminui o ritmo de produção, jogando os trabalhadores na rua da amargura. Além disso, os soldados que voltavam da guerra não são absorvidos pelo mercado de trabalho e passam a participar da estatística da taxa de desemprego como pessoas institucionalizadas.
De novo, a repetição da mesma história. O método usado pelos analistas da ideologia burguesa para medir a taxa de desemprego, tentando propagandear o sucesso do capitalismo, é o mesmo de antes da Grande Depressão Mundial.

Em abril de 2008 a taxa de desemprego nos Estados Unidos da América situava em 5,0% da força de trabalho. “Passada” a última das crises econômica do capitalismo imperialista e da democracia burguesa, a taxa de desemprego atinge 10,2% em outubro de 2009, crescendo 5,2 pontos percentuais. Na verdade, a taxa de desemprego é bem maior. Pois, a informalidade também é contada como emprego nessa estatística dos analistas de ideologia burguesa. Significa que, de novo, os trabalhadores pagam pela crise dos ricos.
O cálculo da taxa de desemprego é fundamentado em variáveis que medem a quantidade do desemprego em um ponto no tempo, denominadas pelos analistas de ideologia burguesa de variáveis de estoque. O cálculo desconsidera as chamadas variáveis de fluxo que medem a quantidade do desemprego ao longo de um período de tempo. Por isso, o resultado achado para a taxa de desemprego fica sempre muito aquém da situação real de desemprego em todos os países do mundo.
A força de trabalho é definida como o número de pessoas empregadas mais o número de desempregados, mas que procuram trabalho.
A taxa de participação é o número de pessoas na força de trabalho dividido pelo tamanho da população adulta não-institucionalizada (ou pela população em idade de trabalhar que não é institucionalizada).
A força não “labor” ativa inclui aqueles que não estão procurando trabalho, aqueles que estão institucionalizados, como em prisões ou hospitais psiquiátricos, cônjuge que cuida do lar e dos filhos, e os que servem nas forças armadas.
O nível de desemprego é definido como a força de trabalho menos o número de pessoas empregadas. A taxa de desemprego é definida como o nível de desemprego dividido pela força de trabalho. A taxa de emprego é definida como o número de pessoas empregadas dividido pela população adulta (ou pela população em idade ativa).
Nessas estatísticas pessoas que se auto-empregam (os trabalhadores informais – aqueles que vivem de fazer “bico”) são também contados como empregados.
As variáveis como nível de emprego, o nível de desemprego, a força de trabalho e as vagas não preenchidas são chamadas de variáveis de estoque, porque elas medem a quantidade em um ponto no tempo. Elas podem ser contrastadas com as denominadas variáveis de fluxo que medem a quantidade ao longo de um período de tempo.
As alterações na força de trabalho que os analistas de ideologia burguesa tentam esconder são os efeitos das chamadas variáveis de fluxo: 1) o crescimento natural da população; 2) a imigração líquida; 3) os novos operadores (milhões de jovens trabalhadores desempregados, procurando emprego); 4) milhões de crianças que trabalham nas ruas dos países oprimidos e reprimidos pela democracia burguesa; 5) milhões de cônjuge que cuidam do lar e dos filhos, cumprindo o papel do Estado; 6) milhões de trabalhadores na informalidade, usados para fortalecer a estatística da burguesia; 7) e as aposentadorias da força de trabalho que também são usadas para garantir o resultado otimista da burguesia em relação à taxa de desemprego.
Logo, a mudança na taxa de desemprego depende principalmente da composição de entradas e saídas no mercado de trabalho: 1) de milhões de jovens trabalhadores que nunca tiveram emprego e começam a procurar emprego; 2) de milhões de antigos trabalhadores que perdem seus empregos e procuram, em vão, novos empregos; 3) de milhões de trabalhadores que não encontram novo emprego; 4) de milhões de trabalhadores que, desiludidos, param de procurar emprego; 5) de milhões de trabalhadores que, fazendo o papel do Estado burguês – criando seu exército de reserva, não podem abandonar suas obrigações domésticas para procurar emprego.
Quanto tempo a classe trabalhadora ainda ficará adormecida, perdendo a oportunidade de construir um novo mundo, de iguais.
[*] Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe (ALSE), Brasil / Email: santos240@gmail.com
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