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Última das alertas geral!
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 20/11/09

Antes da denominada primeira crise do petróleo, de 1960 até 1973, o crescimento global da extração diária de petróleo convencional foi de 165%, passa de 20,99 para 55,68 milhões de barris de petróleo por dia.



Passada a chamada segunda crise do petróleo, a partir de 1987 até 2005, ano do pico mundial de petróleo, o aumento mundial da extração diária de petróleo convencional foi de 30%, sai de 56,63 para 73,74 milhões de barris por dia.

Do total de 1,0 trilhão e 900 bilhões de barris de petróleo convencional, existente em todo o mundo, já foram gastos 967 bilhões de barris. O capitalismo já está gastando a segunda metade da herança deixada pela natureza para a humanidade.

O volume das reservas de petróleo não convencional sob o sal de águas ultraprofundas do Golfo do México, dos litorais do Brasil e da África e do litoral nordeste da Austrália são insuficientes para superar o pico de extração mundial de petróleo convencional. A natureza não vai produzir outra dose de petróleo para a humanidade.

A Rússia, por exemplo, tem apenas dois campos de petróleo supergigantes: 1) Samotlor (descoberto em 1965) e 2) Romashkino (descoberto em 1948). A extração destes campos está em declínio acentuado. As melhores perspectivas de novas descobertas russas parecem existir em regiões de fronteira difícil e cara. A Eurásia está inclusa naquelas regiões que devem ser fornecedoras de energia para as regiões madura e de elevada industrialização (Estados Unidos e Canadá, totalidade dos países europeus, e Japão e Coréia) e regiões asiáticas (Ásia Central e do Pacífico). As outras regiões que devem ser fornecedoras de energia, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), são Américas Central e Sul, África e Oriente Médio.


Estamos caminhando direto para o abismo!

Precisamos começar a compreender porque nos Estados Unidos a taxa de juros do dinheiro pedido emprestado sempre fica entre 0% e 0,25% ao ano e o preço do barril de petróleo sempre é metade do preço que nós, brasileiros, pagamos.


1.- Petrobras International Finance Company (PifCo)

As principais bolsas de valores mundiais já operam em alta e os especuladores globais agem com otimismo. Aqui no Brasil, dentre os três maiores bancos privados brasileiros de capital aberto, o ItauUnibanco foi o que apresentou maior lucro no terceiro trimestre de 2009, com R$ 2,268 bilhões, seguido pelo Bradesco com R$ 1,811 bilhão e Santander com R$ 413 milhões (GAAP). Embora menor, o lucro trimestral do Bradesco (4,75%) apresentou melhor retorno sobre o patrimônio do que do ItauUnibanco (4,72%).

No setor especulativo do petróleo, a PifCo (Petrobras International Finance Company) acabou de realizar oferta de títulos no mercado de capitais internacional, no valor de US$ 4,0 bilhões e vencimentos em 10 e 30 anos. Os títulos terão garantia completa e incondicional da Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A–Petrobras). Participam mais de 500 investidores dos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina, sendo a maioria dedicada ao mercado de renda fixa de empresas com grau de investimento high grade (alto grau).

Ao mesmo tempo, em Brasília, deputados e senadores tapam os olhos e ouvidos e continuam jogando perfumaria no Fundo Social do pré sal – saúde e desenvolvimento regional, educação, cultura, ciência e tecnologia, desenvolvimento social e o combate à pobreza. Querem jogar tudo no mesmo saco – Fundo Social, Royalties e Participação Especial -, assim fica mais fácil de carregar. O objetivo primeiro, de tudo no mesmo saco, é antecipar a capitalização do Fundo Social quando regulamentado pelo executivo. E deixam tudo bem esclarecido: “o que é prioritário hoje pode não ter a mesma importância em dez anos”.

Como sempre, o FMI (Fundo Monetário Internacional) é quem puxa o carro. O Fundo Monetário Internacional (FMI) vendeu 200 toneladas de ouro à Índia por US$ 6,7 bilhões, visando engrossar um fundo de investimento para ser financiado. Com esta operação, o organismo se desfez de quase a metade das 403,3 toneladas de ouro cuja venda tinham aprovado os países-membros, como forma de criar uma nova fonte de receita para suas operações no mercado de capitais internacional (Redação com AFP - Agência IN).

Coincidentemente, a empresa norte-americana Devon Energy anunciou no dia 4 de novembro de 2009 que o lucro líquido atribuível aos acionistas teve queda de 81%, passando de US$ 2,618 bilhões (US$ 5,88 por ação) nos meses de julho a setembro de 2008, para US$ 499 milhões (US$ 1,12 por ação) nos mesmos meses de 2009. A receita total no terceiro trimestre de 2009 somou US$ 2,098 bilhões, ante US$ 5,978 bilhões no mesmo período do ano passado, obtendo recuo de 65% (Redação – Agência IN).

Cresce a movimentação financeira da PifCo (Petrobras International Finance Company) no mercado de capitais internacional e; por isso, os preços do petróleo tendem a continuar em alta (4 de novembro de 2009). Momentos atrás, o preço do barril de petróleo do tipo WTI, com vencimento em dezembro, valorizava 1,1%, vendido a US$ 80,48 na Bolsa de Mercadorias de Nova York (NYMEX, sigla em inglês). O barril do tipo Brent, também com vencimento em dezembro, apresentava crescimento de US$ 0,70, negociado a US$ 78,81 no ICE Exchange de Londres (Redação - Agência IN).

O crescimento econômico do capitalismo imperialista sempre tem ligação direta com o consumo de energia e o preço do barril de petróleo. Petróleo abundante e barato garantiu a sobrevivência do capitalismo no mundo. Hoje, a situação é invertida. Petróleo escasso e caro sustenta a manutenção do crescimento econômico dos países maduros e o desenvolvimento daqueles de industrialização tardia. Da mesma forma, o crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) depende principalmente do crescimento da força de trabalho e da produtividade garantida pelos trabalhadores.

Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou (4 de novembro de 2009) que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve variação positiva de 6,1% em 2007, na comparação com o ano anterior. A estimativa para o desempenho do PIB do Brasil para 2009 continua estável, segundo os analistas econômicos do governo. Quanto mais cresce, mais pioram os salários. O reajuste salarial dos petroleiros do Brasil e da Petrobras, por exemplo, é ZERO%.

A maior probabilidade é de que o preço do barril de petróleo, cada vez mais escasso, permaneça em elevação durante todo o período de projeção do IEO2009 (“International Energy Outlook” 2009) da Agência Internacional de Energia (EIA), de 2006 para 2030. Forte probabilidade é que a força de trabalho, abundante e barata, continue também, cada vez mais, degradada.

Todas as alternativas buscadas até agora pelos governos dos Estados democráticos burgueses seguem o sentido de encontrar saídas para o capitalismo e; por tanto, a sustentação dos mercados financeiros ao redor do mundo.

Garantidas as condições essenciais, a projeção do forte aumento do consumo mundial de energia feita pela EIA (Agência Internacional de Energia), de 2006 para 2030, é fundamentada na hipótese da expectativa de forte crescimento econômico do capitalismo no mundo, neste período.

Enquanto isso, o setor privado dos Estados Unidos fechou 203 mil postos de trabalho no mês de outubro de 2009. Em setembro de 2009, a região européia tinha 22,123 milhões de desempregados, com o último dos incrementos de 286 mil. Em setembro de 2008, considerado o ápice da crise econômica mundial, a Europa tinha 17,112 milhões de desempregados.


2.- Histórico e Projeção do Consumo Mundial de Energia

O crescimento do consumo mundial de energia no período projetado pela Agência Internacional de Energia (EIA) – de 2006 para 2030 – é 23 pontos percentual menor do que os 26 anos passados. Conseqüência da redução da taxa média de crescimento anual do consumo dos países maduros e industrializados. De 1980 para 2006, o consumo mundial de energia aumentou 67%. Cresceu de 283 quatrilhões de Btus em 1980 para 472 quatrilhões de Btus em 2006.

Segundo o IEO2009 (“International Energy Outlook” 2009) da Agência Internacional de Energia (EIA), o consumo mundial de energia cresce de 472 quatrilhões de Btus em 2006 para 552 quatrilhões de Btus em 2015 e 678 quatrilhões de Btus em 2030 – um aumento total de 44% durante o período de projeção.


Além disso, o consumo total de energia no mundo em 2030 será de cerca de 2% menor do que o previsto no “International Energy Outlook” 2008 (IEO2008). Conforme a análise da Agência Internacional de Energia (EIA), a previsão da redução é em grande parte como resultado de uma lenta taxa global de crescimento econômico, tendo como referencial a mais recente crise de superprodução de mercadorias espalhadas nos mercados consumidores do capitalismo imperialista.

A recessão econômica atual tem amortecido a demanda mundial por energia, em curto prazo. A Agência Internacional de Energia (EIA) também assume que a maioria das nações capitalistas do mundo irá voltar à tendência de crescimento econômico nos próximos 12 a 24 meses. Mas, cautelosa, a EIA não abandona a possibilidade de baixo crescimento econômico mundial durante o período de sua projeção.

Os países membros da OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – Estados Unidos e Canadá, Europa e Ásia (Japão e Coréia) -, maduros e industrializados, em conjunto, consumiam 51% (241,6 quatrilhões de Btus) da energia do mundo em 2006. Atualmente, o consumo é de 48% (242,8 quatrilhões de Btus), diminuindo 3 pontos percentual num curto período de tempo.

Os países não membros da OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) consumiam 49% (230,8 quatrilhões de Btus) da energia mundial em 2006. Atualmente, ó consumo é de 52% (265,4 quatrilhões de Btus), aumentando 3 pontos percentual no mesmo período de redução do consumo dos países de economias maduras e industrializadas.

Hoje em dia, dos países não membros da OECD quem mais consome energia são os países asiáticos, 52% (139,2 quatrilhões de Btus). As demais regiões não-OECD, em conjunto, consomem 48% (126,2 quatrilhões de Btus).

De 2006 (241,6 quatrilhões de Btus) para 2030 (278,2 quatrilhões de Btus), a previsão do aumento do consumo de energia é de 15% para o conjunto dos países membros da OECD. A taxa média de crescimento anual do consumo é de 0,6%.

De 2006 (230,8 quatrilhões de Btus) para 2030 (400,1 quatrilhões de Btus), a previsão do aumento do consumo de energia é de 73% para o conjunto dos países não-OECD. A taxa média de crescimento anual do consumo é de 2,3%.

Os países membros da OECD (242,8 quatrilhões de Btus) juntos com os países asiáticos (Ásia Central e do Pacífico) não membros da OECD (139,2 quatrilhões de Btus) consomem atualmente 75% (382 quatrilhões de Btus) da energia do mundo (508,2 quatrilhões de Btus). As demais regiões não membros da OECD (Eurásia, Oriente Médio, África e Américas Central e Sul) consomem juntas 25% (126,2 quatrilhões de Btus) da energia do mundo (508,2 quatrilhoes de Btus)

Em 2030 a situação praticamente não muda, estarão consumindo 76% (517,8 quatrilhões de Btus) da energia do mundo (678,3 quatrilhões de Btus), sendo 41% (278,2 quatrilhões de Btus) para os países membros da OECD e 35% (239,6 quatrilhões de Btus) para os países asiáticos (Ásia Central e do Pacífico) não-OECD. Enquanto as demais regiões não membros da OECD (Eurásia, Oriente Médio, África e Américas Central e Sul) gastarão juntas 24% (160,5 quatrilhões de Btus).

As regiões não membros da OECD (Eurásia, Oriente Médio, África e Américas Central e Sul) serão as grandes fornecedoras de energia para os países membros da OECD (Estados Unidos e Canadá, totalidade dos países da Europa, e Japão e Coréia) e países asiáticos (Ásia Central e do Pacífico) não membros da OECD.

Dos países não membros da OECD, China e Índia serão os consumidores de energia chave do mundo no futuro. China e Índia juntas representavam cerca de 10% do consumo total de energia do mundo em 1990; mas, em 2006, ambas consumiram 19%.

Em conjunto, todos os países asiáticos (Ásia Central e do Pacífico) não membros da OECD mostram a maior robustez de crescimento econômico em relação às demais regiões fora da OECD, com projeção de aumento de consumo de energia de 104% de 2006 (117,6 quatrilhões de Btus) para 2030 (239,6 quatrilhões de Btus).

O previsto para o resto das regiões não-OECD (Eurásia, Oriente Médio, África e Américas Central e Sul) é um aumento no consumo de energia de 42% de 2006 (113,2 quatrilhões de Btus) para 2030 (160,5 quatrilhões de Btus).

Enquanto que os países membros da OECD (Estados Unidos e Canadá, totalidade dos países da Europa, e Japão e Coréia) crescem o consumo em apenas 15% de 2006 (241,6 quatrilhões de Btus) para 2030 (278,2 quatrilhões de Btus). São países maduros e de elevada industrialização.

Verifica-se que a projeção da Agência Internacional de Energia (EIA) mostra uma mudança no comportamento da curva do consumo de energia entre os países membros da OECD e os não membros da OECD. A curva não-OECD sobrepõem a curva OECD, a partir de 2010. Essa situação muda ao longo do período de projeção do EIO2009 por causa principalmente do efeito asiático não-OECD que aumenta o consumo de energia em 104% de 2006 (117,6 quatrilhões de Btus) para 2030 (239,6 quatrilhões de Btus). Em contrapartida, há uma redução da taxa média de crescimento do consumo de energia dos países membros da OECD.

É evidente que nas economias não-OECD, China e Índia apresentaram crescimento econômico anômalo, e é por isso que a Agência Internacional de Energia prevê que esses dois países asiáticos possam ser as consumidoras de energia chave do mundo no futuro. Em seguida, a EIA considera que o forte crescimento econômico nos dois países asiáticos continuará durante o período de projeção, combinado com o consumo crescente de energia.

Sendo assim, em 2030, China e Índia juntas irão representar 28% do consumo mundial de energia. Em contrapartida, a parte do consumo mundial total de energia dos Estados Unidos, de 21% em 2006, cai para cerca de 17% em 2030.

Durante o período de projeção (2006 até 2030) da Agência Internacional de Energia, embora haja uma queda de 23 pontos percentual em relação aos 26 anos passados, o crescimento total do consumo mundial de energia ainda é forte, 44% de 2006 (472,4 quatrilhões de Btus) para 2030 (678,3 quatrilhões de Btus). Os países não membros da OECD terão aumento de 73% e os membros da OECD, 15%.


3.- Previsão para o consumo de energia dos países membros da OECD (Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico)

Durante a projeção da EIA (Agência Internacional de Energia), o aumento do consumo de energia do Japão e da Coréia é 15% de 2006 (38,7 quatrilhões de Btus) para 2030 (44,6 quatrilhões de Btus), 2 pontos percentual abaixo da elevação do consumo de energia dos Estados Unidos e do Canadá, países da América do Norte, no mesmo período de tempo. Significa que o Japão e a Coréia já estão também empanturrados de energia.

O crescimento do consumo de energia da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) de 2006 (121,3 quatrilhões de Btus) para 2030 (141,7 quatrilhões de Btus) é de 17%. Qualquer quantidade de energia consumida, além disso, só vai lhes causar indigestão. De petróleo, os estoques dos Estados Unidos estão sempre abarrotados para garantir entre 15 e 20 dias de abastecimento, sempre acima de 330 milhões de barris.

Pelo mesmo motivo, a Europa cresce seu consumo de energia, de 2006 (81,6 quatrilhões de Btus) para 2030 (91,8 quatrilhões de Btus), em apenas 12,5%. O suficiente para dar novo ânimo às montadoras de automóveis. A General Motors acaba de anunciar a decisão de manter a marca Opel, descartando o plano anunciado anteriormente de vender a filial alemã. A decisão é baseada na constatação de uma “conjuntura mais favorável para os negócios da GM” e na importância da Opel-Vauxhall para a estratégia global da GM, ressaltou o grupo de Detroit em comunicado divulgado na Redação com Agências Internacionais – Agência IN.

Todavia, a montadora norte-americana General Motors (GM) estima que haverá cerca de 10.000 demissões na Opel, montadora que a GM decidiu não vender e que emprega atualmente mais de 50.000 pessoas na Europa, declarou nesta quarta-feira (4 de novembro de 2009) seu vice-presidente, John Smith (Redação com agências internacionais - Agência IN). 

Em 2030, os países membros da OECD, segundo a previsão da EIA, estarão consumindo 41% (278,2 quatrilhões de Btus) da energia do mundo (678,3 quatrilhões de Btus).


4.- Previsão para o consumo de energia dos países não membros da OECD (Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico)

A Europa não-OECD e Eurásia; toda a região da Ásia (Ásia Central e do Pacífico), exceto Japão e Coréia; Oriente Médio; África e Américas Central e do Sul constituem as regiões que não fazem parte da OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O crescimento do consumo de energia dos países não membros da OECD de 2006 (230,8 quatrilhões de Btus) para 2030 (400.1 quatrilhões de Btus) é de 73%. Forte aumento do consumo.

A Ásia não-OECD que apresenta o crescimento mais robusto, aumenta o consumo em 104% de 2006 (117,6 quatrilhões de Btus) para 2030 (239,6 quatrilhões de Btus). O crescimento da Índia deve recuperar-se no trimestre de outubro a novembro do ano fiscal 2010, e o país pode voltar a expandir-se em 9% nos próximos dois anos, disse o ministro das Finanças do país, Pranab Mukherjee (JBOnline).

O consumo de energia em outras regiões não-OECD também cresce fortemente durante o período de projeção feita pela EIA. O menor crescimento é da Europa não-OECD e Eurásia (incluindo Rússia e outras ex-repúblicas soviéticas), 25%. O da Áflrica é 50%. Da América Central e do Sul, 56%. O aumento previsto para o Oriente Médio é de 58%.

Em 2030, os países não membros da OECD, segundo a previsão da EIA, estarão consumindo 59% (400.1 quatrilhões de Btus) da energia do mundo (678,3 quatrilhões de Btus).


5.- Projeção Econômica do Mundo

O crescimento econômico é o fator mais importante a ser considerado na projeção de mudanças no consumo de energia do mundo. No longo prazo, é a capacidade de produzir bens e serviços (o lado da oferta) que determina o potencial de crescimento da economia de qualquer país. O potencial de crescimento é influenciado pelo crescimento da população, pelas taxas de participação da força de trabalho, pela acumulação de capital e melhorias de produtividade.

Além disso, para as economias em desenvolvimento, o progresso na construção de capital humano e infra-estruturas físicas, estabelecendo mecanismos de regulação fiel aos interesses do grande capital para governar os mercados e assegurar a estabilidade política desempenham um papel relativamente mais importante na determinação do potencial de crescimento a médio e longo prazo.

Embora seja difícil avaliar a extensão da atual crise econômica global, pois muitos analistas têm afirmado que o mundo está no meio da pior recessão desde a segunda guerra mundial, as projeções do IEO2009 (International Energy Outlook 2009) assume que a crise global não vai ser demorada.

A Agência Internacional de Energia considera que o crescimento anual do PIB mundial durante o período de 24 anos de projeção segue aproximadamente a mesma taxa registrada nos últimos 25 anos.

Mas, ao mesmo tempo, a EIA lembra: como acontece com qualquer conjunto de projeções, há incertezas significativas associadas com as projeções de energia do IEO2009. Por tanto, a EIA não desconsiderou os dois conjuntos de casos de sensibilidade que podem variar os pressupostos das projeções: 1) o alto e o baixo crescimento econômico mundial e 2) o alto e baixo preço do barril de petróleo no mundo durante o período de projeção. E alerta: ambos os casos de sensibilidade são destinados a ilustrar cenários alternativos, em vez de identificar quaisquer limites de incerteza que pode ser afetada por políticas e desenvolvimentos tecnológicos, bem como por preço e rumos de crescimento, ou de desaceleração.

O crescimento nas economias mais maduras e industrializadas da OECD deverá ser mais lento no futuro. Mas, o crescimento nas economias não OECD é projetado para ser mais elevado no futuro do que no passado.

Para os países membros da OECD, o PIB total cresceu a uma média anual de 2,9% de 1982 a 2006. Mas, deverá situar-se em 2,2% ao ano de 2006 para 2030. Em contrapartida, o PIB dos países não membros da OECD cresceu a uma medial anual de 4,1% nos últimos 25 anos. Mas, é prevista uma média de 4,9% por ano a partir de 2006 a 2030, baseada em grande parte na projeção do forte crescimento dos países asiáticos não membros da OECD, principalmente na China e na Índia, sendo maior na China.

As taxas de crescimento mais lentas das economias dos países membros da OECD são compensadas pelas mais rápidas taxas de crescimento das economias dos países não membros da OECD.

Devido a expectativa de que o preço do barril de petróleo permanecerá elevado, o uso de todas as fontes de energia aumenta durante o período de projeção do IEO2009-EIA (International Energy Outlook 2009 – Agência Internacional de Energia).

O consumo de combustíveis líquidos petrolíferos e de outros líquidos aumenta a uma taxa média anual de 0,9% de 2006 a 2030. Enquanto que o consumo de energias renováveis cresce a uma taxa média anual de 3,0%. Os preços elevados dos combustíveis fósseis e a crescente preocupação sobre os impactos ambientais inibem a elevação da taxa média anual de consumo dos combustíveis líquidos de petróleo. Por outro lado, carece o forte incentivo dos governos para aumentar a penetração de renováveis na maioria dos países ao redor do mundo.

De 2006 para 2030, o crescimento econômico nos países não membros da OECD – Europa e Eurásia – alcançará uma média geral de 3,6% por ano. Nos últimos anos, os países não OECD, da Europa e Eurásia, foram amplamente protegidos das incertezas econômicas mundiais, registrando um forte crescimento econômico em cada ano desde 2000.

Tudo isso é que justifica o título deste documento - Última das alertas geral!

 

 

[*] Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe (ALSE), Brasil / Email: santos240@gmail.com

 

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