O tesouro do povo brasileiro para as Big Oil
Dalton F. Dos Santos* / Soberania.org - 02/12/09
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Herança deixada pela natureza para o povo brasileiro será levada para fora do Brasil em troca de poucas moedas!
- Muita coisa já está sendo adiantada antes do ajeitamento satisfatório das porções da ossada disputada lá em Brasília.

Percorrendo o platô do pico de petróleo, três picos elevados de extração foram registrados a partir de maio de 2005: Pico 1 = 74,22 milhões de barris por dia, em maio de 2005; Pico 2 = 74,13 milhões de barris por dia, em dezembro de 2005; Pico 3 = 74,74 milhões de barris por dia, em julho de 2008. Em novembro de 2009, a extração caiu para 71,9 milhões de barris de petróleo líquido bruto por dia, incluindo o petróleo de areias betuminosas do Canadá. O esperado é que a extração declinará cerca de 2,2 milhões de barris por ano.

No gráfico acima, a previsão da Agência Internacional de Energia (World Energy Outlook 2008 e 2009) é mostrada para comparação. O gráfico não inclui a extração de gás natural.
É essa situação crítica energética mundial que exige do governo brasileiro pressa para aprovar no congresso nacional o modelo de regime de partilha de Lula e manter o de concessão de FHC para todo o petróleo do Brasil.
Lá em Brasília, a guerrilha pela partilha dos royalties entre deputados e senadores sob o comando do executivo é necessária até quando as porções dos 10% dos royalties sejam ajeitadas. A partir desse jeitinho o modelo de regime de partilha de Lula será aprovado para conviver com o modelo de regime de concessão de FHC.
A totalidade dos royalties representa apenas 10% em moedas do volume total de óleo equivalente extraído de todas as bacias sedimentares brasileiras. Esse é o percentual necessário estabelecido pelas Big Oil Companies que o executivo, deputados e senadores acham que deve satisfazer a penúria do povo brasileiro. A guerrilha de Brasília é somente pela partilha dessa migalha em relação ao tamanho da herança deixada pela natureza para o povo do Brasil. Ou seja, a disputa é pela ossada que será descarnada pelas Big Oil Companies.

O filé mignon do pré sal ultraprofundo do litoral do Brasil já foi achado na bacia de Santos e, também, já foi entregue. Resta ainda para entregar 71%.
O modelo de regime de concessão estabelecido pela lei 9.478.97 de FHC entregou 29% do pré sal ultraprofundo e o modelo de regime de partilha de Lula vai entregar 71%, o restante ainda para entregar. O modelo de FHC permanece colado no modelo de Lula. Lula apenas acrescenta a divisão das porções (partilha) do tesouro do povo brasileiro para as Big Oil Companies.

Do campo de Panoramix localizado no bloco BM-S-48, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, apenas 11% pertence à União. Dos 24% da Petrobras, uma parcela de 13% é dos mega acionistas de Wall Street. A maior parte que representa 65% pertence a outras Big Oil Companies: Repsol (40%), Woodside (12,5%) e Vale (12,5%). Essa situação já está instituída por FHC e continuará assim. No entanto, a guerra entre hienas lá em Brasília é pela partilha dos 10% das moedas de Royalties estabelecidos pelas Big Oil Companies que, em troca delas, irão levar para fora do Brasil o tesouro do povo brasileiro.
Na bacia de Santos foi encontrada uma estrutura geológica comparável a de Ghawar, o maior campo de petróleo do mundo situado na Arábia Saudita.
A Arábia Saudita que chega a extrair uma média de 10 milhões de barris de petróleo por dia tem baixa capacidade de refino, 2,1 milhões de barris por dia. Em 2007, a Arábia Saudita extraiu uma média de 10,413 milhões de barris de petróleo líquido bruto por dia, 12,62% do total mundial. Significa que 80% da extração de petróleo líquido bruto excedente saudita é exportada. De janeiro a novembro de 2006, a Arábia Saudita forneceu aos Estados Unidos 1,4 milhões de barris de petróleo bruto por dia; ou seja, aproximadamente 14% das importações de petróleo bruto dos Estados Unidos.

Segundo Oil and Gas – Mbendi, do Brasil já é extraída uma média de 1,833 milhões de barris de petróleo líquido bruto por dia. A capacidade de refino do Brasil é de 1,928 milhões de barris por dia. Representa apenas 11% da capacidade de refino dos Estados Unidos. Do pré sal ultraprofundo será extraído um excedente em relação à capacidade de refino mesmo com a construção de cinco novas refinarias já anunciadas.
Para receber o excedente da extração de petróleo líquido bruto do pré sal ultraprofundo do Brasil já está sendo revisado o estudo de expansão da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos.
Muita coisa já está sendo adiantada antes do ajeitamento satisfatório das porções da ossada disputada lá em Brasília.
[*] Dalton Francisco Dos Santos / Geólogo e Diretor do Sindipetro de Alagoas e Sergipe (ALSE), Brasil / Email: santos240@gmail.com
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